A doença é o maior pavor do ser humano. Ainda assim, apavoradas, as pessoas seguem aqui e ali, enchendo a cara de antibióticos, analgésicos, antidepressivos, insulina e por aí vai. Entupindo-se de química, todo mundo vai mais ou menos bem, aqui e ali, lá e acolá.

Paro e penso. Ou melhor, só paro e deixo o pensamento para depois. No futebol, não é diferente da vida. Há uma quantidade de hipocondríacos extrema e cavalar- e sempre estão dispostos a diagnosticar doenças, tragédias e sensações de mal-estar, sempre tratáveis por remédios.

Só que esta medicina (ou melhor, essa farmácia, essa bioquímica) não resolve nada. Falo por enigmas? Sigamos. Vejam só o que propõem os tecnólogos do futebol: Uso de câmeras, de computadores para auxílio da arbitragem. Claro, tudo estaria simples. As faltas violentas e antes invisíveis seriam reveladas, os pênaltis seriam facilmente marcados, não subsistiria mais o problema da bola na linha, do quase-gol, do gol que não foi, etc, e por aí vão os devaneios.

Claro, não passam de devaneios. Não é possível afirmar de forma apriorística que o uso desse ou daquele instrumento necessariamente redundará na piora do jogo. O mesmo vale, contudo, para a melhora. É possível especular, porém, o que aconteceria, em termos práticos e não tão subjetivos. O uso do computador e da tecnologia inevitavelmente tornará o futebol um jogo mais parado. Quem fala que a experiência do futebol americano pode servir de influência ou não acompanha as partidas da NFL ou finge que não vê os intervalos (Há uma terceira hipótese, a de simplesmente omitir, apesar de saber as conseqüências). Em relação a outros esportes, a comparação é maluca e improcedente, já que se dão em áreas bem menores e com um placar pré-determinado para encerramento.

Há outro fator magnânimo. As regras do futebol são bem subjetivas. Mais do que se fulano avançou 10 jardas ou se sicrano tocou na rede, dentre outras coisas, a mão na bola não necessariamente significa infração, o empurra-empurra na área nem sempre vira falta e nem a mais milimétrica das máquinas pode resolver a equação que interpreta aquelas regras.

Num embalo torto, a neurose atribui a International Board (chamada incrivelmente de “Velhinhos da FIFA”) uma responsabilidade (a perfectibilização das regras de um jogo, que é essencialmente diamante bruto) que não lhe cabe. Pode-se melhorar a arbitragem do futebol e até mesmo algumas de suas regras? Sim, claro, óbvio.

Não parece que é o computador o responsável por auxiliar nisso, porém.

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