ohiggins_bernardoAh, em todos os tempos há e haverá aquela do repetitivo. O camarada todo dia chega num bar, conta a mesma troça, o próprio lero-lero, repetidas vezes, até o ponto em que todos chegam à beira da loucura- ou de um estágio muito próximo a isso, o tédio- por mais que a história contada- uma guerra por ele travada ou uma aventura pantaneira – tenha sido verdade.

Algo semelhante acontece com a Libertadores da América. Ano sim, ano também e ano de novo, a mesma narrativa acerca dos desafios, altitudes, catimbas e peculiaridades do futebol sul-americano (há o dinheiro dos times mexicanos também!) toma as ruas para no fim todos concordarem que os favoritos são argentinos e brasileiros- podendo, sempre, é claro, haver alguma zebra.

Já se chega a quase-metade da fase de grupos, e o que temos? Bem, primeiro temos um calendário bagunçado. Enquanto alguns grupos avançam à quarta rodada (Chivas e Caracas semana passada, Lanús e Everton hoje), outros só terão concluído a terceira em abril (caso do Sport e Palmeiras). Isso quando não há distinção dentro do grupo, como é o caso de Independiente de Medellin e América de Cali, Defensor Sporting e São Paulo.

Ora, se já houve quem reclamasse do calendário do ano passado (Ubiratan Leal, do Trivela), por incompatibilidades de horário, o que dizer do deste ano? Ao contrário, o calendário passado, com 3 jogos por dia, toda terça, quarta e quinta, permitia que todos os jogos fossem televisionados.  Televisão, aliás, lembra a péssima cobertura que o Sportv vem fazendo, esquecendo alguns jogos, passando VT de outros e negligenciando o maior campeonato da América em troca de jogos da Copa do Brasil transmitidos em TV aberta. Mas, divago e já não falo mais de futebol, mas do que fazem com ele.

Voltando à Taça, este ano temos mais equilíbrio. Se os atuais campeão e vice brasileiro mostravam no papel possuirem elencos melhores que os do ano passado, na prática o que se vê são times hesitantes. O São Paulo depende de espaços para atuar, como os que encontrou em Cali. Isso traz problemas com times que jogam retrancados e pode complicar a situação do time como em 2007 e mesmo em 2008- muito embora, na temporada passada, o time se apresentasse menos criativo e tenha sido eliminado por um time bastante ofensivo e que dava muito espaço.

O Grêmio tem problemas de insatisfação com o treinador, com os centroavantes e até a diretoria reclamou de um defensivismo extremo para o time. Sim, amigos, consta que um italiano reclamou da macarronada de uma sua tia matrona e que desde então foi excomungado pela própria família, tornando-se um pária napolitano.

De outro lado, temos um Sport, que é visto como sensação e com um misto de deslumbre e constrangimento por todos. Constrangimento que é a tônica da interpretação que se faz do Palmeiras. Como um time que tem um esplendoroso centroavante e alguns bons talentos, além de uma grande campanha no Estadual não faz bom papel?

Se a resposta ao “dilema de Pernambuco” está num time médio com determinação, a reposta do Palmeiras encontra-se na péssima defesa que o time possui. Ora, o nível de qualquer campeonato estadual não vale para medir um time. A verdade, amigos, é que um campeonato estadual vale tanto quanto a quinta divisão do Brasil. Hoje, o Estadual é uma série E enxertada com times de prefeitura ou de empresários e equipes da série A, que sem a motivação adequada e em ritmo de pré-temporada, são equivalentes a times de outras divisões. Esta é a dura realidade.

Não é à toa que a virada que o Palmeiras conseguiu contra o São Caetano tenha se dado de maneira tão escalafobética. As defesas do jogo pareciam peneiras dilaceradas ou pias com vazamentos amazônicos. E, no entanto, o que se exaltava era a beleza dos gols do Palmeiras.

Por fim, temos um Cruzeiro que, pelo terceiro ano consecutivo, não consegue passar confiança em seu vigor e capacidade de prosseguimento na competição. A imaturidade e destempero do bom Kléber não ajudam um escrete jovem, com grandes jogadores (em minha opinião, segundo elenco do Brasil, atrás do são-paulino), a passar outra imagem senão a de um clube que porá a perder tudo no minuto seguinte, graças a uma expulsão inconseqüente. O segundo turno, com dois jogos no Mineirão, há de determinar aonde o time mineiro pode chegar. Controlados os nervos, há grandes chances de um belo papel na competição.

Belo papel que pode ser concretizado por qualquer dos clubes brasileiros no momento, inclusive pelo instante trepidante pelo qual passam os clubes argentinos, pela fraqueza dos mexicanos (exceção feita às Chivas) e pela incerteza que ronda todos os outros que almejam chegar ao patamar de um San Martín, de um Bolívar, de um O´Higgins ou de um Pedro I.

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