p109724-lisbon-igreja_de_sao_vicente_de_foraE foi começada a fase final da Liga dos Campeões, que seria algo como um complemento especial ao maior produto gastronômico do futebol mundial. Os conoisseurs, do Kiribati ao Butão, da Palestina à Alemanha, aguardavam ansiosamente pelo dia das oitavas da LC. Perguntem-me, então, que pergunto a vocês: E aí, como foram os jogos?

Respondo:  Olhem os resultados. Haverá, claro, quem me olhe indignado, e brade que em futebol os resultados nada significam, afinal, há sempre o imponderável, o imprevisível, o inenarrável, o que é visto e o que não é visto, a rebimboca da parafuseta, etc. Ao que eu retruco: Tédio. Sim, concordo com o argumento, mas poucas vezes os resultados expessaram tanto o que realmente aconteceu em campos de futebol- e o que aconteceu foi tédio e apatia.

Jogos modorrentos, resolvidos pela diferença mínima (ou não resolvidos, como no caso de Internazionale e Manchester) foram a tônica da rodada. Com exceção de um sacode que o Bayern enfiou no Sporting lisboeta, o que se viu foram times acuados, com medo de si mesmo e da própria sombra, a despeito de contarem com elencos estelares e, segundo dizem, magníficos. Mas a quem estou querendo enganar?

Também no jogo do Alvalade o que se via era alguma coisa esquisita, embora mais franca do que em Stamford Bridge ou no Lyon X Barcelona do dia anterior. E então, eu até me pergunto, de mim para mim, por que ainda acompanho futebol. Somente este questionamento assombrava-me durante as exibições modorrentas que acompanhei na LC. Ora, se este é o melhor torneio do mundo, que diabos é o pior torneio? Estaria eu ficando velho, ranzinza, problemático?

E, então, vêm a mim recordações das três últimas finais da Liga. Vá lá, estou bondoso, e esquecerei a vitória por 2 a 1 do Barcelona sobre o Arsenal (que segurou um resultado heroicamente por quase todo o jogo e foi derrubado por Juliano Haus Belletti, o que é digno de nota). Lembremos somente do Milan e Liverpool (2 a 1) e do United e Chelsea (1 a 1, decidido nos pênaltis). Estes jogos representavam o ápice do futebol mundial? Desculpem-me, amigos, mas se este é o ápice, o topo não passa de uma banalidade fundamental. Uma banalidade preocupante.

E por que eu assisto o jogo e acompanho? Na madrugada, Chivas e Everton duelavam pela Libertadores. Primeiro tempo, 4 a 0. Assustado, não consegui dormir e decidir encarar o que se afigurava um massacre. Ora, o massacre não veio. Em dois minutos, o chileno Everton conseguiu 2 tentos. E eu pensava: ora, aí está o jogo, ou melhor, aí está a reação furiosa que há de reavivar minha fé na Arte!

Mais uma vez, ledo engano.  O jogo esfriou, as Chivas de Guadalajara meteram mais 2 gols e terminaram com aquele 6 a 2 de almanaque.

Tudo bem, eu espero. Não é a primeira vez e não será a última que o tédio tenta se apossar dos amantes do futebol- ou melhor, só de mim. Talvez eu nem seja tão amante assim. Meu caso é de um fiel, devoto e interessado, que há de acompanhar todos os momentos em busca de um átimo de epifania. A graça está nesta busca. E possivelmente a própria Graça por aí esteja.

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