Posso gabar-me de, pelo menos, uma previsão correta nas prévias da Libertadores. Após um bisonho empate com o Bolognesi e uma atuação patética diante do Nacional mais fraco dos últimos dois ou três anos, está claro que só o Maracanã salva. A esquadra rubro-negra deposita no estádio a mesma confiança que o Real Potosí e outros times das alturas depositam na montanha. Quando relembrei que a última vitória flamenga fora de casa havia sido contra o América, em Natal, não pude conter uma sensação de estranhamento, um tenebroso sentimento de que o Flamengo, afinal, era menos, bem menos do que elocubrávamos.

Pior ainda: contra o Cienciano, em pleno verão carioca, o time de Joel Santana penou para vencer. Muitos já diagnosticaram a falta de bons atacantes como o maior problema para a disputa da Libertadores. Não há como negar: Souza é uma piada, sempre foi uma piada; Obina é uma figura, sempre foi uma figura; Tardelli é uma promessa, sempre será uma promessa. O veloz Marcinho possui lá a sua determinação e a sua competência, mas ainda não se mostrou digno da titularidade. O veloz Maxi, que ensaiou um mito, uma idolatria, vai se apagando, esquecido pela torcida e por Joel. O maior vazio na equipe, contudo, parece localizar-se no meio-campo. Sabemos todos da competência de Ibson para armar duas ou três boas jogadas que resultam em chances claras de gol, mas sabemos todos que Ibson é, e se diverte em sê-lo, um volante. Não há meia no Flamengo – só eu notei? Anotem: não decreto que o Flamengo é um time ruim – longe isso, é bom e já o demonstrou desde o ano passado, mas é bom quando tudo conspira a seu favor, inclusive juízes, gandulas, bandeirinhas e torcida.

Óbvio que as expulsões de Toró (insana) e Léo Moura (estúpida) contribuíram para a queda desta quinta-feira – mas, ao contrário do que Júnior Capacete afirmava ao longo do primeiro tempo, o Flamengo não jogava bem e a ruindade, tão forte, parecia ser milenar, vir de eras desconhecidas pelo homem, sobrevivido ao dilúvio na Arca de Noé, entre gansos e girafas, como se o Flamengo jamais houvesse sido bom. Se não era ameaçado pelo Nacional, isso se devia à incompetência oriental. Com dois a menos, tornou-se impossível a repressão ao ímpeto dos uruguaios. Com erros de Bruno, o sonho de um empate desfazia-se. Com os olhos dos jogadores correndo o estádio e estranhando aquele sítio pequeno, coberto por três cores estranhas, cheio de cantos em castelhano, o Flamengo deparou-se com uma verdade dolorida: não irá ganhar a Libertadores, não assim.

Anúncios