Após o retorno à disputa, no ano passado – que teve direito a euforia da torcida, brigas contra altitude e vexame ainda nas oitavas de final -, o Flamengo está no caminho certo há muito tempo: pelo menos meio ano. Se é verdade que as contratações foram, em teoria, muito bem feitas, é curioso que elas têm sido pouco utilizadas por Joel Santana, que resolveu adotar a anciã política de não dar sopa pro azar e manter o time que, na temporada passada, obteve um sucesso tremendo. Uma zaga que pintava como uma das mais fortes do país, com Fábio Luciano e Rodrigo, já foi precocemente descartada pela lesão do segundo – o que não chega a ser um desastre, pois Ronaldo Angelim já deu provas de sua segurança e categoria para dar chutões pros lados e até apoiar o ataque pelas laterais.

Metido numa risível guerra contra os jogos realizados em altitudes elevadas, o Flamengo está num grupo de três times: afinal, quem é que vai perder pro Coronel Bolognesi? O Nacional é outro escrete que, a exemplo do Cerro Porteño, vive na base de tradição e jogo em casa – a diferença básica, no caso, é que o clube uruguaio já venceu o torneio por três vezes e costuma ter maior longevidade na competição (resumindo, é um adversário para empatar em Montevidéu e ganhar no Maracanã). O mais interessante dessa fase de grupos, contudo, será o embate contra o Cienciano, que joga na montanha – e só lá.

Considerando o nível patético da Taça Guanabara, é muito mais seguro analisar o Flamengo pelos jogos decisivos que fez na reta final do Brasileirão passado: entupido de volantes, vai ganhar um monte de gente no abafa, dentro do Maracanã. E é justamente esse o problema: quando foi a última vez em que o Flamengo ganhou fora de casa? Alguém disse América de Natal, em outubro, por 1 a 0? Será fundamental para o rubro-negro saber se portar longe do Rio de Janeiro, num joguinho meia-boca no interior peruano ou em plena Buenos Aires ou ali por La Plata. O torcedor, ao que parece, pelo menos já pode conviver com a certeza de que o atual time irá superar (sem dificuldades) aquilo que foi feito na última edição da Libertadores – na qual uma equipe que sonhava com o título foi responsável pelo pior jogo de futebol do ano contra o Defensor. Daí pra frente, é apelar pra São Judas Tadeu e treinar alguém pra segurar o Riquelme.

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