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	<title>Quem é a bola?</title>
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	<description>Driblando jornalistas das narinas de cadáver</description>
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		<title>Quem é a bola?</title>
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		<title>Lendas, comédias e desatinos</title>
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		<pubDate>Sat, 21 Nov 2009 23:35:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rafael B.</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A última quarta-feira foi um dia mitológico para o futebol. E digo mais: Um dia transcendental. Ora, perguntariam a mim: Mas, poeta, um novo Pelé surgiu na relva? Um escrete de sonho com o mágiar de 54, o canarinho de 58 ou os asseclas de Orange de 74? E eu digo, não, não. Nem um [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=quemeabola.wordpress.com&blog=2651856&post=358&subd=quemeabola&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>A última quarta-feira foi um dia mitológico para o futebol. E digo mais: Um dia transcendental. Ora, perguntariam a mim: Mas, poeta, um novo Pelé surgiu na relva? Um escrete de sonho com o mágiar de 54, o canarinho de 58 ou os asseclas de Orange de 74? E eu digo, não, não. Nem um São Cristóvão de 1919 surgiu neste último dia. Mais uma vez, contudo, o futebol mostrou sua magnanimidade, à qual me curvo.</p>
<p>Quando a Irlanda vencia uma descarada, horrenda, trágica, medonha, e por que não dizer?, apoplética França, uma França que envergonharia o mais colaboracionista dos ladrilhos de Vichy, eu pensava: algo de interessante pode surgir daí. A Irlanda é um time que espelha o país: resistente, esquisito e com um futebol rígido. É um time de luta- o que pode significar um jogo ridículo, seguido de um momento mágico de superação. E esse Eire, tão dúplice, encurralou os comandados (ou assim diz a lenda) de Domenech, de uma forma cabal. Não conseguiram o 2 a 0 e tiveram sua resposta da pior forma: numa condução circense, Henry levou a bola aos pés de seu compatriota e causou mais um episódio constrangedor na história do futebol: O time maior roubando o menor, com uma indignidade de arena.</p>
<p>Ali, pensei: O futebol acabou. E fui dar andamento a algum afazer, que redundou em assistir (ou tentar fazê-lo) o embate entre Obina e Maurício, digo, entre Palmeiras e Grêmio, ao mesmo tempo em que Cerro Porteño e Fluminense digladiavam-se por uma vaga na final da Sul-Americana.</p>
<p>A chatice do primeiro jogo deixou-me no Maracanã (se o narrador da Globo não vai ao estádio, na maioria das vezes, por que eu não me sentiria lá?), onde o Fluminense perdia, mas lutava para sufocar o time dos jogadores de pedras de Assunção.</p>
<p>Dos lances, ataques e contra-ataques, todos já sabem, não interessa muito. O que importa são os episódios gregos de  então. Obina e Maurício trocaram sopapos, dignos de enciclopédia. Um deu socos de jogador de futebol, socos no ar, enquanto o outro deu socos de rinha de galo, socos do mais puro acarajé. Desta batalha partiu o maior destempero: o afastamento dos jogadores do grupo palmeirense, de imediato. Ora, todos sabemos que a diretoria alviverde jogou para a torcida, num momento do mais puro desespero e da mais pura indecisão, motivada pela dúvida acerca do que fazer diante da perda de um título imperdível? (Ainda volto à impossibilidade que o Palmeiras se colocou neste 2009).</p>
<p>E a virada do Fluminense foi épica, fabulosa, magistral, digna de registro nos anais do Congresso, fosse aquela casa mais do que o que é.  A vontade com que o tricolor carioca se atira em campo espelha o futebol no seu momento mais sublime, a despeito de presidentes insanos, diretorias confusas, patrocinadores mandões e contusões inexplicadas. É o futebol superando a lógica, é o futebol superando o pessimismo.</p>
<p>PS:  O Fluminense não venceu nada, ainda corre um bom risco de ser rebaixado, blá, blá, blá. Não elogiar um momento por isso é a tragédia do suposto racionalismo futebolístico, parente do chatismo.</p>
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		<title>Santos e canalhas</title>
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		<pubDate>Wed, 16 Sep 2009 16:39:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rafael B.</dc:creator>
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Há quem diga que, apesar de filha do diabo ( ou, talvez, em razão disso), a mentira seria prova da maturidade de alguém. Por outra: Criança não mente. Ou numa pior, adulto que não mente é infantil ou débil mental, donde se poderia inferir que o local para as filosofias de Immanuel Kant seria uma [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=quemeabola.wordpress.com&blog=2651856&post=350&subd=quemeabola&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><img class="alignright size-medium wp-image-354" title="vai desabar" src="http://quemeabola.files.wordpress.com/2009/09/vai-desabar.jpg?w=300&#038;h=180" alt="vai desabar" width="300" height="180" /></p>
<p>Há quem diga que, apesar de filha do diabo ( ou, talvez, em razão disso), a mentira seria prova da maturidade de alguém. Por outra: Criança não mente. Ou numa pior, adulto que não mente é infantil ou débil mental, donde se poderia inferir que o local para as filosofias de Immanuel Kant seria uma espécie de hospício. Todavia, quem conhece o choro ladino de alguns pivetes, sabe que a banda não toca para este lado.</p>
<p>Mas por que falo da mentira? O que a mentira, o cinismo, a desfaçatez tem a ver com o esporte bretão. Bem, é justamente da Ilha que vem a recente polêmica envolvendo o croata-brasileiro Eduardo da Silva e uma simulação diante do Celtic, nas preliminares da Liga dos Campeões. Vocês podem ver <a href="http://youtube=http://www.youtube.com/watch?v=uL5G6eAsfgY">aqui</a> que o atacante não é tocado e apesar disso, desaba na área, motivo suficiente para que o juiz marcasse o pênalti.</p>
<p>Dizem que na repetição do lance, a torcida gritou de decepção, lamentando que o pênalti não tivesse sido justo. E logo começou a recriminação. John Terry, zagueiro do Chelsea, acusou um excesso de malícia dos jogadores estrangeiros, até porque desacostumados em relação ao ritmo do jogo inglês, ao tempo em que, de certa maneira, lamentava que os compatriotas não fossem daquele jeito. Digo de certa maneira e já me corrijo. Em verdade, a lamentação era uma reprimenda marota, com direito a piscadela e tudo mais, aos estrangeiros, que incorreriam em desonestidade tremenda.</p>
<p>Ora, resultou que o jogador foi punido com dois jogos de suspensão, pela simulação. E, no entanto, vos reclamo e conclamo, sim, conclamo, a pensar sobre o assunto. É possível medir o grau de malandragem de um jogador em campo? Não sei e tenho minhas dúvidas- assim como tenho minhas dúvidas em relação a uma suposta <a href="http://[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=u38DykT_kYY&amp;feature=video_response">moralidade</a> dos jogadores de tal ou qual país.</p>
<p>Será possível medir o quanto é cera de um goleiro, o quanto um zagueiro provoca um jogador, etc, etc? Não acho. A não ser que instalássemos câmeras em cada cerebelo (e bulbo) alheios, com direito a transcrição pictográfica e legendada das atitudes e intenções de cada um, não vejo possível que uma excessiva regulação do futebol jogado possa nos levar a mais e não menos diversão em campo.</p>
<p>Parece-me mais adequado um melhor treinamento dos árbitros e um esforço para que as influências políticas apitem menos na determinação dos episódios de campo. De resto, esforços no sentido de uma super-formatação só vão tornar o futebol mais chato e menos futebol. Chegará o dia em que os amantes do futebol somente poderão assistir o contra-futebol, o anti-futebol e até mesmo o pós-futebol.</p>
<p>Lembremos, amigos, que o futebol nasce como esporte de lordes e cavalheiros e vislumbro aqui uma bela partida dos estudantes de Cambridge (imaginemos a Turma A contra a Turma B ou melhor, os com-cartola versus os com-fraque). O pouco que há de regras disciplinares vem do espírito de um tempo em que (ao menos, em tese) as emoções e impulsos disparatados do corpo e da alma eram mais ou menos controlados. Como todos os esportes cavalheirescos, o futebol surge como uma forma de o corpo controlar a alma.</p>
<p>Nossos tempos, porém, são outros. As almas mostram-se incontroláveis, os corpos descontrolados e, mais do que isso, há um orgulho no descontrole. Sem maiores lamúrias, temos de reconhecer isso. O futebol é um jogo de cavalheiros que não é jogado por cavalheiros. Precisamos aceitar essa realidade e nos divertir com ela, evitando que passemos a ser brutos praticando um jogo de burocratas entediados e entendiantes.</p>
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		<title>Meu mundo sem craques</title>
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		<pubDate>Wed, 16 Sep 2009 02:46:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rafael B.</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Outro dia, vi um sujeito gritando na rua, desesperado, parece-me que ninguém concordava com suas afirmações e ele era quase um solitário. Eu era sua companhia. Olhei no espelho e vi que esse sujeito de minha companhia, na verdade, era eu mesmo.
Pois sim, sou um complexado, um problemático e um obsessivo. Eu quase falava e [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=quemeabola.wordpress.com&blog=2651856&post=343&subd=quemeabola&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><img class="alignleft size-medium wp-image-347" title="debord" src="http://quemeabola.files.wordpress.com/2009/09/debord1.gif?w=199&#038;h=300" alt="debord" width="199" height="300" />Outro dia, vi um sujeito gritando na rua, desesperado, parece-me que ninguém concordava com suas afirmações e ele era quase um solitário. Eu era sua companhia. Olhei no espelho e vi que esse sujeito de minha companhia, na verdade, era eu mesmo.</p>
<p>Pois sim, sou um complexado, um problemático e um obsessivo. Eu quase falava e agora falo que sou um ranzinza nato e vitalício. Outro dia, conversando sobre os demônios da bola, um amigo disparou: &#8211; Mas também, para você, ninguém é craque!</p>
<p>Aquela afirmação cravou em meu peito como um punhal- até porque verdadeira, de certo modo. E eu comecei a rememorar meus comentários sobre os últimos craques- assim chamados mundo afora. Ibrahimovic? Um bom jogador, mas que não muda definitivamente o time. Sim, porque sim a Internazionale é tetracampeã italiana, decorrente de circunstâncias do destino e de um evidente enfraquecimento dos maiores clubes da bota. Na Suécia, Ibrahimovic pode conseguir manter o time na média, mas não tenho a impressão de que carrega nas costas- como um Hristo Stoichkov fazia com a Bulgária.</p>
<p>Kaká. Excepcional, forte, rápido, carregou um geriátrico Milan nas costas (com auxílio dos vovôs em momentos cruciais, é verrdade) por, pelo menos, 2 temporadas, até o momento crucial da estafa. Não me agrada em Kaká, porém, o excesso de força e o mínimo de magia. O drible de Kaká é seco, eficiente, objetivo. Claro, é uma beleza e evidentemente é ótimo que ele busque o gol, a meta primordial, não sendo uma enceradeira, uma foca ou uma bailarina de caixinha de música. Mas eu sinto e me ressinto da falta de magia.</p>
<p>Cristiano Ronaldo. O tuga é ótimo, mas ainda percebo que aqui e ali ele some. Não digo só em jogos decisivos (há os que ele aparece), mas em alguns momentos, parece que as firulas não são capazes de convencer a ninguém, nem a ele e seu ego transatlântico.</p>
<p>Sobra-nos Gerrard e Messi. Por incrível que pareça, há situações em que o inglês agrada-me mais que o argentino, muito embora o brilho esteja mais ao lado do jogador do Barcelona, que, no entanto, nem sempre corresponde às enormes, gigantescas e monstruosas expectativas que são erguidas em torno de seu futebol. Espero eu- e nisso acho que não estou só com meu reflexo- que surjam jogadores históricos a cada minuto, jogadores essenciais, donos da história &#8211; e nisso num tempo em que vemos (vírgula eu, que escolho poucos jogos para ver) todos os jogos de todos os jogadores, em videotaipes, câmeras lentas e tudo o mais a que o freguês tenha direito, inclusive os defeitos, as falhas, mínimas que sejam.</p>
<p>A esta superexposição que corresponde o sucesso absoluto do futebol no mundo, talvez esteja a grande contradição de nossos tempos: Quanto mais vemos, sentimos e discutimos uma coisa, mais nos sentimos decepcionados quando não, mais distantes.</p>
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		<title>Futebol solitário II</title>
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		<pubDate>Thu, 10 Sep 2009 04:32:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rafael B.</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Fora uns quatro ou cinco ocasionais golzinhos praticados nas férias (eu sempre me assustava quando ficava na cara do gol e alguém gritava em minhas costas), passei um bom tempo afastado do futebol.
De fato, não tão afastado. Minha primeira lembrança de algum talento diz respeito à invenção de jogos fictícios. Eu compunha verdadeiros jornais com [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=quemeabola.wordpress.com&blog=2651856&post=341&subd=quemeabola&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Fora uns quatro ou cinco ocasionais golzinhos praticados nas férias (eu sempre me assustava quando ficava na cara do gol e alguém gritava em minhas costas), passei um bom tempo afastado do futebol.</p>
<p>De fato, não tão afastado. Minha primeira lembrança de algum talento diz respeito à invenção de jogos fictícios. Eu compunha verdadeiros jornais com manchetes absurdas, desenhos degradados e espetaculares e referências pitorescas. Lembro bem a admiração de meu pai ao mencionar meu conhecimento sobre o apelido do Guarani de Campinas- acho que foi a primeira vez em que me tornava um vaidoso (sim, já fui e deixei de ser um vaidoso umas setecentas e quarenta e três vezes).</p>
<p>De início, minha imprensa abstrata falava dos jogos da rodada. De um tempo para outro, comecei a criar meus próprios jogos. Os jogos impossíveis não eram interessantes. Minha intenção era reeditar as pelejas já ocorridas, criar novas narrativas, possibilidades astrofísicas. Era uma espécie de videogame prático, antecessor dos mais modernos de hoje em dia.</p>
<p>E esse talento literário redundou em uma nova etapa: a prática. Sem muitos amigos (em muitas épocas foi assim), parti para o jogo solitário. Eu contra eu, representando 22 jogadores, os reservas, juiz, bandeirinhas, torcida, numa multidão solitária e frenética, obscena e psicótica.</p>
<p>Eram idos de 1996. Meu esporte era no quintal da casa- uma grama (como coçava quando eu caía nos pênaltis fantasmagóricos), areia em outro, que eu corria e desbravava como um etíope ou queniano na São Silvestre (se não fosse o Google, eu chamaria a Brigadeiro Luiz Antônio de Lima e Silva ou de Eduardo Gomes).</p>
<p>Por Jesus, pode parecer uma coisa triste, solitária e enfadonha- mas naquele momento, era uma catarse, algo próximo do Paraíso.</p>
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		<title>Copa e cozinha</title>
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		<pubDate>Wed, 09 Sep 2009 04:11:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rafael B.</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A seleção brasileira acaba sendo um assunto entediante. Há razões para amá-la e odiá-la, para torcer a favor e contra, apoiar com reservas, apoiar e às vezes torcer contra, tudo muito sensato, racional e sustentável em argumentos. Por outra, os lados da questão são tão irritantes que torcer contra os dois é o objetivo, numa [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=quemeabola.wordpress.com&blog=2651856&post=336&subd=quemeabola&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><img class="aligncenter size-medium wp-image-339" title="cafe-da-manha-com-saude" src="http://quemeabola.files.wordpress.com/2009/09/cafe-da-manha-com-saude.jpg?w=300&#038;h=199" alt="cafe-da-manha-com-saude" width="300" height="199" />A seleção brasileira acaba sendo um assunto entediante. Há razões para amá-la e odiá-la, para torcer a favor e contra, apoiar com reservas, apoiar e às vezes torcer contra, tudo muito sensato, racional e sustentável em argumentos. Por outra, os lados da questão são tão irritantes que torcer contra os dois é o objetivo, numa impossibilidade física, lógica e moral.</p>
<p>Pensemos em Dunga. É um bom técnico? Não é. É péssimo? Também não, até porque ele está aprendendo a ser. E nisso residiu todo o erro das análises sobre o papel de Dunga na seleção, que espelha um erro maior de análise em futebol, sobre a dimensão dos técnicos no jogo.</p>
<p>Quando o Chelsea trocou Mourinho por Avram Grant, nenhuma alma viva pôde acreditar que aquilo daria certo. E até hoje todos insistem que o time só chegou onde chegou (a única final da Liga dos Campeões do qual o clube inglês fez parte) por uma suposta coesão do elenco. Ah, claro, há quem fale também nos treinos que não eram dados pelo israelense, etc, etc. O técnico é alçado a um papel de tanta importância, que, quando os fatos contrariam a teoria, todos ficam a ver navios e insistem tanto nela que acabamos convencidos pelo cansaço- só me lembro de Tostão como o resistente.</p>
<p>Alguma coisa parecida foi tentada para explicar os resultados de Dunga. O problema é que os fatos começaram a brigar com a análise. Não só a brigar, os fatos começaram a tripudiar da tese. E aí, a turma da Globo voltou atrás (o que é normal, no caso), montando a corrente para a frente e a turma crítica teve que ficar com a língua enrolada, visto que o time estava bem nas Eliminatórias e havia levado as Copas América e a das Confederações.</p>
<p>Pergunto-me eu, pergunta-se você, pobre leitor: Cadê o povo de Belo Horizonte e do Rio que pedia a detonação de Dunga? Certamente, estão gritando que Maradona é um néscio e já se pode imaginar que aqui e ali vão começar a ver em Dunga um gênio tático, responsável por nós mitológicos.</p>
<p>Nem tanto, nem tanto. Dunga não é um estúpido, mas também não fez nada sobrenatural. Nisso reside seu mérito. Escolheu um caminho e seguiu, com alguma correção de rota, mas numa trajetória que faz sentido- embora não seja um explicável em termos táticos corriqueiros.</p>
<p>É o suficiente para ganhar a Copa do Mundo? Não, pois falta muito tempo, a Copa é um torneio de tiro curtíssimo e nunca se pode menosprezar a capacidade brasileira de deixar o oba-oba prevalecer (a síndrome reversa do vira-lata).</p>
<p>No momento, é preciso dizer, o Brasil é uma grande seleção &#8211; comparada com as outras, os únicos termos de baliza possíveis- e o esquema (defesa sólida e contra-ataque)  funciona a contento. Não é um brilho total, mas qual time teve brilho total nesses últimos anos? Não consegui ver o brilho do Barcelona do triplete até hoje. O relógio suíço-mancuniano do United pode ser tudo, menos vistoso (até foi um pouco mais há uns dois anos).</p>
<p>O brilho deste Brasil, isso parece ficar claro a cada segundo, é o brilho do futebol de hoje, é o brilho da eficiência. Não há o que se reclamar disso, não há que se fazer um carnaval, de outra mão. É uma felicidade, claro, mas rápida e frugal quanto um belo café-da-manhã. Pode ser delicioso, mas a alma e o corpo hão de querer mais e mais.</p>
<p><strong>Sobre isso, também leia</strong>: <a href="http://quemeabola.wordpress.com/2009/04/01/passou-voce-nao-viu/"> Passou, você não viu</a></p>
<p><a href="http://quemeabola.wordpress.com/2009/03/30/brasilidade-e-fervura/">Brasilidade e fervura</a></p>
<p><a href="http://quemeabola.wordpress.com/2008/09/27/o-carater-de-um-povo/">O caráter de um povo</a></p>
<p><a href="http://quemeabola.wordpress.com/2008/08/20/dunga/">Dunga</a></p>
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		<title>Futebol solitário I</title>
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		<pubDate>Tue, 08 Sep 2009 20:11:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rafael B.</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Eu não era um grande jogador de futebol. Ou melhor (e pior), não sou ainda e dificilmente passarei a ser. Nunca passarei a ser, sinceramente. Mas houve um tempo em que isso não me dizia respeito. Mesmo sendo um pereba nato, eu arrisquei aqui e ali umas partidinhas.
Talvez eu esteja exagerando- e não pela humildade, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=quemeabola.wordpress.com&blog=2651856&post=332&subd=quemeabola&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Eu não era um grande jogador de futebol. Ou melhor (e pior), não sou ainda e dificilmente passarei a ser. Nunca passarei a ser, sinceramente. Mas houve um tempo em que isso não me dizia respeito. Mesmo sendo um pereba nato, eu arrisquei aqui e ali umas partidinhas.</p>
<p>Talvez eu esteja exagerando- e não pela humildade, acreditem. Em boa parte da infância, minhas partidinhas eram rigorosamente diminutivas. Eu, mais uns dois colegas de sala, alguns garotos mais novos que a gente (ou de minha idade, um ano ou dois mais novos que a turma) e pronto, era armado o arremedo de jogo.</p>
<p>Lembro que usamos a bola uma ou duas vezes. Vá lá, que tenham sido dez. Em um lance fortuito, eu atirei um tirambaço na janela da diretoria. Quer dizer, não sei se fui eu ou outro dos dois ou três integrantes do clássico. Não importa e vamos admitir que não fui eu, um coadjuvante na história.</p>
<p>Pois desde esse dia a bola (de plástico) não foi mais permitida. Não que isso fosse grande coisa. Falando sério, era irrelevante, até porque já tínhamos jogado sem aquele pobre instrumento. Acreditem, amigos, no futebol, o menos importante é a bola. Qual a nossa solução? Ora, a nobre e ilustre tampinha de garrafa. É engraçado, mas eu chamava de tampilha. Eu e meus colegas e acho que todos ao meu redor. Não sei quando ou por meio de que legislação, passou-se a chamar tampilha de tampinha. Possivelmente, desde que as garrafas de vidro (290 ml, em regra, 330 ml as do novo Guaraná Brahma) tiveram seu consumo reduzido.</p>
<p>E a tampilha era o instrumento daquelas partidas absurdas. Eram clássicos excepcionais, em que eu e meus dois camaradas disputávamos postos de craques primordiais, fabulosos, helênicos. Havia uma distinção na regra comum, em virtude da tampilha. Era vedada a condução, que consistia em arrastar a tampilha sob os pés, impedindo que o outro tomasse a bola, digo, o objeto.</p>
<p>Na escola, bastava aquele palco de pisos, próximo a uma escorregadeira e pronto. A rua não era interessante, com uma turma mais velha, no máximo para uma partida de baleado em escassas noites e nada mais. Não era interessante, nem era permitido e sempre me faltou ânimo para desobedecer regras- talvez aí resida um talento, um bom talento.</p>
<p>Até lembro em que houve uma partida entre todas as crianças da escola (ou algo assim). Os alunos da quarta série eram os capitães. E havia um meu rival no outro time, Fausto, acho, um sarará que era mais velho e naquela fauna, só podia disputar o título de leão quem tivesse mais de um metro e quarenta. O jogo foi ótimo, pelo campinho de areia do Jóia, mas nem tão bom, tenho a impressão de que meninos de 4 anos já estavam no meio da confusão.</p>
<p>Então, retornávamos à tampilha, o centro de um mundo curioso, em que o troféu de &#8220;craque do ano&#8221; (com 89 ou 93 gols) era um enfeite de bolo de aniversário e em que não importava quão ruim fosse você com uma esfera nos pés, sempre havia a chance de desempenhar ali um papel quixotesco, artístico, relevante.</p>
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		<title>Neuróticos e robóticos</title>
		<link>http://quemeabola.wordpress.com/2009/07/19/neuroticos-e-roboticos/</link>
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		<pubDate>Sun, 19 Jul 2009 03:54:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rafael B.</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A doença é o maior pavor do ser humano. Ainda assim, apavoradas, as pessoas seguem aqui e ali, enchendo a cara de antibióticos, analgésicos, antidepressivos, insulina e por aí vai. Entupindo-se de química, todo mundo vai mais ou menos bem, aqui e ali, lá e acolá.
Paro e penso. Ou melhor, só paro e deixo o [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=quemeabola.wordpress.com&blog=2651856&post=308&subd=quemeabola&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>A doença é o maior pavor do ser humano. Ainda assim, apavoradas, as pessoas seguem aqui e ali, enchendo a cara de antibióticos, analgésicos, antidepressivos, insulina e por aí vai. Entupindo-se de química, todo mundo vai mais ou menos bem, aqui e ali, lá e acolá.</p>
<p>Paro e penso. Ou melhor, só paro e deixo o pensamento para depois. No futebol, não é diferente da vida. Há uma quantidade de hipocondríacos extrema e cavalar- e sempre estão dispostos a diagnosticar doenças, tragédias e sensações de mal-estar, sempre tratáveis por remédios.</p>
<p>Só que esta medicina (ou melhor, essa farmácia, essa bioquímica) não resolve nada. Falo por enigmas? Sigamos. Vejam só o que propõem os tecnólogos do futebol: Uso de câmeras, de computadores para auxílio da arbitragem. Claro, tudo estaria simples. As faltas violentas e antes invisíveis seriam reveladas, os pênaltis seriam facilmente marcados, não subsistiria mais o problema da bola na linha, do quase-gol, do gol que não foi, etc, e por aí vão os devaneios.</p>
<p>Claro, não passam de devaneios. Não é possível afirmar de forma apriorística que o uso desse ou daquele instrumento necessariamente redundará na piora do jogo. O mesmo vale, contudo, para a melhora. É possível especular, porém, o que aconteceria, em termos práticos e não tão subjetivos. O uso do computador e da tecnologia inevitavelmente tornará o futebol um jogo mais parado. Quem fala que a experiência do futebol americano pode servir de influência ou não acompanha as partidas da NFL ou finge que não vê os intervalos (Há uma terceira hipótese, a de simplesmente omitir, apesar de saber as conseqüências). Em relação a outros esportes, a comparação é maluca e improcedente, já que se dão em áreas bem menores e com um placar pré-determinado para encerramento.</p>
<p>Há outro fator magnânimo. As regras do futebol são bem subjetivas. Mais do que se fulano avançou 10 jardas ou se sicrano tocou na rede, dentre outras coisas, a mão na bola não necessariamente significa infração, o empurra-empurra na área nem sempre vira falta e nem a mais milimétrica das máquinas pode resolver a equação que interpreta aquelas regras.</p>
<p>Num embalo torto, a neurose atribui a <em>International Board </em>(chamada incrivelmente de &#8220;Velhinhos da FIFA&#8221;) uma responsabilidade (a perfectibilização das regras de um jogo, que é essencialmente diamante bruto) que não lhe cabe. Pode-se melhorar a arbitragem do futebol e até mesmo algumas de suas regras? Sim, claro, óbvio.</p>
<p>Não parece que é o computador o responsável por auxiliar nisso, porém.</p>
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		<title>Ressurreição e oportunismo</title>
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		<pubDate>Sun, 19 Jul 2009 03:01:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rafael B.</dc:creator>
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		<description><![CDATA[É curioso como, de repente, vagas de bom-mocismo tomam o mundo do futebol. Vejam o caso do América, simpático clube carioca, da Tijuca. Passou anos de ostracismo futebolístico, penando com 250 outros times do Rio de Janeiro que não os quatro mais bem-quistos, sem obter qualquer conquista relevante. Conseguiu ir a uma final da Taça [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=quemeabola.wordpress.com&blog=2651856&post=322&subd=quemeabola&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>É curioso como, de repente, vagas de bom-mocismo tomam o mundo do futebol. Vejam o caso do América, simpático clube carioca, da Tijuca. Passou anos de ostracismo futebolístico, penando com 250 outros times do Rio de Janeiro que não os quatro mais bem-quistos, sem obter qualquer conquista relevante. Conseguiu ir a uma final da Taça Guanabara, para ser garfado e assistir de modo inconveniente à chamada profissionalização do futebol. Mais ou menos como um semi-cadáver ou um tio incômodo que atrapalha o andamento familiar com sua tuberculose.</p>
<p>Tísico, o time chegou a um ponto baixo, baixíssimo e baixérrimo de sua trajetória. Muito baixo mesmo, os alvirrubros chegaram à segunda divisão do Estadual do Rio de Janeiro (Carioca?), mesmo tendo que sucumbir a times sofríveis. E foi, então, que num estalo, começou-se a temer pelo futuro do América.</p>
<p>Quem temeu? Os torcedores. A imprensa? Mais ou menos. Aqui e ali pipocaram iniciativas de restauração de um passado glorioso. Parceria com patrocinador de primeira divisão, administração de Romário, boa lembrança aqui e ali até o ponto de ter seus jogos transmitidos pela TV.</p>
<p>Sim, amigos, eu disse televisão. Nessa semana que passou, de modo um pouco surdo, tivemos uma pequena queda-de-braço pelos jogos do América. Não, não era a Rede Vida e a Canção Nova que disputavam por transmitir jogos de times menores. Eram os dois maiores canais de esportes na TV por assinatura brasileira. Para além dos bolodórios jurídicos, a emissora que se recusou a transmitir alguns jogos da Libertadores, a que cortou os últimos minutos do último jogo do Campeonato Argentino em prol do VT do GP de Motovelocidade e da premiação de um GP de Judô, essa emissora decidiu passar os jogos do América.</p>
<p>Podemos sorrir, então, afinal os mangangões estariam zelando pelo futebol de antigamente, dos primos pobres, pererê parará? Não mesmo, colegas. Os jogos a serem televisionados são exclusivamente os do América. Só interessa noticiar os jogos do América. A segunda divisão do Estadual virou a jornada da redenção do América- mais ou menos como zás-trás- a segunda do Brasileiro vira a redenção do Palmeiras, Botafogo, Grêmio, Corinthians e até mesmo a do Galo. É a ressureição farsesca da história da Fênix.</p>
<p>Reclamo disso? Não. Ou melhor, reclamo sim, mas nem tanto. O novo despertar do América é positivo, até como forma de ampliar o leque de clubes a quem se pode prestar atenção no futebol. Um mundo com poucos clubes relevantes é um abismo insípido e nauseante. Mas não se poderia tratar de melhor forma os companheiros do esquecimento que o América partilhava até pouco? Não só no Rio, mas na Bahia, nos Rio Grandes e em Roraima- sem que só o folclore excêntrico anual da Copa do Brasil os reavivem em nossas memórias?</p>
<p>Enfim, enfim e digo mais: Por fim. Que o América abra o olho e agarre esse momento. Amanhã, uma nova vedete pode apagar do fronte qualquer vestígio dessa história.</p>
<p><img class="alignleft size-medium wp-image-324" title="MichaelJacksonDancando1" src="http://quemeabola.files.wordpress.com/2009/07/michaeljacksondancando1.jpg?w=223&#038;h=300" alt="MichaelJacksonDancando1" width="223" height="300" /></p>
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		<title>Por um átimo de vento</title>
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		<pubDate>Fri, 17 Jul 2009 04:02:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rafael B.</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Está assentado na memória futebolística um texto de Roberto Drummond que se refere à fidelidade do torcedor do Clube Atlético Mineiro, o tal Galo. Diz o autor de Hilda Furação, que num embate hipotético entre o vento e o Galo, a massa torceria desesperadamente contra o vento. E nisso se vê muita beleza e uma [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=quemeabola.wordpress.com&blog=2651856&post=318&subd=quemeabola&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Está assentado na memória futebolística um texto de Roberto Drummond que se refere à fidelidade do torcedor do Clube Atlético Mineiro, o tal Galo. Diz o autor de Hilda Furação, que num embate hipotético entre o vento e o Galo, a massa torceria desesperadamente contra o vento. E nisso se vê muita beleza e uma fidelidade essencial, além do bem e do mal, da vida e da morte.</p>
<p>Não discuto. E realmente aplaudo a torcida, que aqui e ali demonstra sua paixão, lotando estádio, mesmo diante de times mais ou menos, como dizer&#8230;, furrecas. Mas torcer para o Galo é fácil. Já posso imaginar mineiros vociferantes e trágicos babando e tremendo diante do que falo, mas não tenho dúvidas, tanto que repetirei. Torcer para o Galo é fácil. Ah, ser roubado por José Roberto Wright, o homem que expulsou Deus em Goiânia, perder 17 mil vezes tendo o melhor ou uma das melhores equipes, ser até outro dia o maior pontuador do Brasileirão com um título somente, ah, tudo isso é fácil, amigo leitor. Não é tão fácil quanto torcer para um São Paulo, um Flamengo, sei lá, até mesmo para um Coritiba- grande regional, campeão brasileiro-, mas é fácil (Em relação ao Bahia, já venho acumulando algumas dúvidas).</p>
<p>Difícil, colegas, difícil e quase angustiante é torcer para o Fluminense de Feira. Se o Galo é o time dos que torcem contra o vento, o Touro sertanejo é o time que joga sem o vento. O vento é uma impossibilidade física, moral e filosófica para os times pequenos. Ao torcedor do Galo, sempre haverá a hipótese do vento parar. Sempre haverá um meteorologista prevendo (errando muito e quase sempre, mas acertando algum dia) o fim da tormenta. E se a tormenta acaba, o torcedor do Atlético já pode rir. O torcedor do Fluminense não.</p>
<p><img class="alignleft size-medium wp-image-320" title="sede touro" src="http://quemeabola.files.wordpress.com/2009/07/sede-touro1.jpg?w=300&#038;h=225" alt="sede touro" width="300" height="225" />O bravo touro pioneiro é um time para os trágicos, os apopléticos, os verdadeiros dons quixotes da nova ordem. Uma ida ao Jóia da Princesa mostra um estádio com menos de mil torcedores, todos apaixonados, mas com as circunstâncias mais curiosas.</p>
<p>Os palmeirenses reclamam da turma do amendoim? Pois dos 700 pagantes, 500 taurinos são dessa turma. Outros 80 compõem o total de componentes de quatro ou cinco organizadas que tentam motivar o time. Pois era esse o cenário do jogo contra o Atlético das Alagoinhas, em jogo válido pela quarta divisão do futebol nacional. E o time de Alagoinhas parecia melhor, em boa parte do primeiro tempo e no começo do segundo tempo, até que o vento apareceu nas imediações do bairro do Sobradinho, onde se localiza o templo do Touro. Foi ali que um jogador com a cabeça enfaixada sacodiu a roseira e animou a moçada, o que deu oportunidade ao clube matar o jogo, com mais dois contra-ataques, e então dominar a partida de uma vez por todas.</p>
<p>É por esse momento de sonho que os torcedores do Fluminense (e do próprio Atlético e de seus irmãos em espírito, os suicidados pelo mundo do futebol) vivem, um momento em que é possível haver algum vento, sendo real a eventualidade de torcer contra qualquer coisa.</p>
<p>Por cada segundo é que vive o torcedor do Fluminense- e essa beleza é o patrimônio que ninguém há de tirar das mãos dos poucos que se aventuram ao Jóia da Princesa.</p>
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		<title>A luta contra o ressentimento</title>
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		<pubDate>Tue, 07 Jul 2009 03:04:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rafael B.</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Preciso me lembrar, todo santo dia, de não me tornar alguém amargo- principalmente no que diz respeito às coisas do futebol. Sim, amigos, a luta diante dos fatos é árdua e a cada etapa, é preciso encará-los, respirar fundo e caminhar.
Explico. Aqui e ali escolho times para torcer. Não para acompanhar a todo o tempo,do [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=quemeabola.wordpress.com&blog=2651856&post=315&subd=quemeabola&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Preciso me lembrar, todo santo dia, de não me tornar alguém amargo- principalmente no que diz respeito às coisas do futebol. Sim, amigos, a luta diante dos fatos é árdua e a cada etapa, é preciso encará-los, respirar fundo e caminhar.</p>
<p>Explico. Aqui e ali escolho times para torcer. Não para acompanhar a todo o tempo,do início ao fim dos tempos, mas para naquele momento específico do embate, ter uma preferência. Geralmente escolho o mais fraco. Por mais fraco, entendo aquele que ganhou menos ao longo da história, aquele que garante os maiores sofrimentos aos seus adeptos, o que é furtado, assaltado e até mesmo operado pelos homens de preto, o que sempre há de perder aos quarenta e cinco minutos do segundo tempo, num lance duvidoso, em meio a uma vibração intensa de sua torcida. O time pequeno é o verdadeiro sobrevivente do futebol, pois resiste a intermediários malandros, a diretorias inescrupulosas, a um público pífio, com renda tétrica, sem ter suas aventuras bem cantadas nas ondas de transmissão.</p>
<p>Mas por que falo dessa via crúcis futebolística? Vejam vocês o que se passou ontem na final do Campeonato Argentino. Huracán, um dos antigos grandes do futebol, grande campeão da era amadora, somente um título na era profissional, finalmente o Huracán se aproximava de um título, após tortuosos caminhos na segunda divisão. Bastava um empate e a história parecia mágica: mesmo contra um gol erroneamente anulado, contra uma tempestade de granizo, o furacão conseguia seu empate na casa do adversário. O título era seu, até o momento trágico já nos estertores da partida, quando o jogador do Vélez faz a falta e o gol necessário à sua vitória. Pronto, estava encerrada a magia.</p>
<p>Isto é suficiente para minhas tragédias? Não. Basta observar o Campeonato Brasileiro. O time que eu escolhi (ou me escolheu), o São Paulo, decidiu encenar a mais dramática das histórias. Após meses de futebol horrendo, embarcou numa aventura de adaptação que parece mais entediante ainda- é um time sem imaginação, sem vontade, que não transmite a mínima expectativa a quem o vê jogar. Ora, vocês dirão, isto é despeito de quem vê seu time em tragédia.</p>
<p>Não, colegas. Não por isso. Assisto a Libertadores e o que vi foi um Grêmio sem sentido ou direção (i.e., aquele domínio estéril sem chances de vitória) e uma torcida que gritava num castelhano entre o apaixonado, o esquisito e o lamentável- o lamento da torcida, digo. Do mesmo modo, o Internacional não conseguiu oferecer resistência ao sólido Corinthians- e definitivamente, preciso refazer minha impressão sobre Mano Menezes.</p>
<p>Vejo o espetáculo madridista em torno de C. Ronaldo e Kaká e sinto somente a vontade de dormir e esperar que o time comece logo a jogar- algo ressentido, há uma parte de mim que torce para que o time fique em nono lugar, após o Bilbao, Sevilla, La Coruña, Atlético de Madrid, Villareal, Tenerife, Zaragoza e Barcelona (ou quaisquer outros).</p>
<p>E por aí, vai. Fico a me lamentar e torcendo para não me tornar um oitenta-e-doitista, torcendo pela volta de Telê e saudando o tempo de Zico, quando alguma coisa surpreendente podia acontecer- há momentos em que é melhor calar e esperar pela empolgação- essa é a luta contra o ressentimento, o mais daninho vício de personalidade.</p>
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