O homem atual é guiado pelo resultado, não é dado a contemplações, banalidades reflexivas ou, como diria um amigo, não é cheio de nove-horas. Tal qual em uma comunidade de galinhas, na qual pouco importa as habilidades em ciscar ou a sapiência no uso da moela, o que determina o homem hoje é o resultado, o produto final, o ovo. Sem pôr seus ovos regularmente, industrialmente, o homem não é nada.

E isso também é verdade no futebol. Mais: Isso é uma verdade superior no futebol, mais verdadeira do que no resto da existência. Para os treinadores, então, o resultadismo é uma doxa inabalável, a doutrina dos milênios e dos seiscentos. Como diz o outro, o jogo é jogado e há aqueles que conseguem sobreviver em meio à granja do dia-a-dia. É o caso do neerlandês Guss Hidink.

Os trabalhos deste rapaz dos Países Baixos chamam alguma atenção: Austrália, Coréia e Holanda nas últimas Copas do Mundo, a Rússia deste pré-2010, PSV nos píncaros da Europa, enfim, enfim, o homem é dono de resultados de respeito. Fosse uma galinha, seria de ovos dourados ou melhor, seria uma galinha que põe ovos de Fabergé.

E não à toa, Hiddink parou no Chelsea pós-Scolari. A atuação do time nas partidas contra o Barcelona demonstraram as bases da atuação do treinador: Pragmatismo até a medula, até o limite extremo. Na Catalunha, isso implicou um time acuado, apertado pelas circunstâncias de um time ofensivo, porém estéril. O Chelsea desistiu do jogo no Camp Nou e quase arrancou uma vitória num vacilo da zaga culé.

Em Londres, porém, a estratégia já não era a do ferrolho. Era alguma coisa arriscada também, ainda mais quando Essien abriu o placar num pombo sem asa fundamental logo no início do jogo.  Hiddink armou um Chelsea com contra-ataques insinuantes, mas que ao mesmo tempo abria seu campo ao jogo do Barcelona. Era uma estratégia, digamos assim, malandra. Enquanto o time inglês conseguisse permitir que o domínio blaugraná fosse inócuo, pouco efetivo, estava tudo ótimo. Ainda mais se o time acertasse alguns contra-ataques, que dariam a chance de encerrar a partida.

Havia um problema nesse esquema, porém. Primeiro, se faltasse alguma coisa aos contra-ataques. E faltaram. Drogba e Anelka sempre erravam alguma coisa no momento final. Segunda questão, se o juiz fosse um parvo. E era. Ao menos dois pênaltis não foram marcados- o que explica o ocorrido, pois não se anula a expulsão ridícula de um defensor do Barcelona que parecia a ruína do time. E, por fim, se aquela inefetividade ofensiva catalã acertasse uma única vez que fosse. Iniesta cumpriu essa parte, no finzinho da partida.

Em futebol, um minuto é suficiente para que ouro vire gema. E o pior, gema velha e estragada. Em dois confrontos que entregaram menos do que nossa mente idealista poderia imaginar, um lance fortuito arruinou a estratégia de uma senhora galinha, digo, de um senhor treinador. E Avram Grant continua sendo aquele que mais perto chegou do sonho de Abrahmovic.

Balaço nos ovos de Fabergé

Balaço nos ovos de Fabergé

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Por falar em promessas, profecias e decepções, nada pode ser mais triste do que o confronto entre Arsenal e United, também pelas semifinais da LC. Não pelos comandados de Fergunson, que voltaram a demonstrar a efetividade suíça, digna dos melhores relojoeiros do globo, com uma atuação suprema de Cristiano Ronaldo, rapaz que vem destruindo minhas últimas resistências em relação a seu poder de decisão, mas sim pelo time londrino.

Está claro que o druida Arsene precisa fortalecer o time para o próximo ano. Sim, o escrete continua agradável e faceiro, mas é preciso mais do que jogo bonito para avançar. Se antes havia Pires, Henry, Vieira e mesmo Gilberto Silva, hoje o time parece ressentir-se de algumas peças que permitam a evolução que todos esperamos. Ano passado, o time demonstrava mais ímpeto ofensivo e um caos na defesa. Hoje, o time perdeu um pouco daquela vocação (muito embora Arshavin indique potencial para mais), sem recompor a proteção da mesma maneira.