Há dois tipos de pessoas. Existem as reflexivas, que meditam milhares de anos e pode-se dizer até que elas ruminam seus atos, que acabam por se concretizar lentamente, embora com um grau de perfeição não tão próximo àquele esperado, ao divino.

De outro lado, há aqueles dados a ação. Um comunista diria e expeliria seus perdigotos revolucionários de uma outra maneira: Ação direta. E referendada, talvez. Este cidadão, ativo, está menos preocupado com filosofias (ou filôzufias, como diria um soteropolitano da gema, i.e., de uma época anterior à tentativa de transformar Salvador em uma sub-São Paulo), e mais dedicado à prática, às coisas concretas da vida.

Claro, a divisão não é estanque. Claro, o prático sempre há de teorizar alguma coisa, afinal, ele não é uma barata. E isto já é dito há tempos, desde um Anaximandro, um Anáxagoras, um Plato, um Ari.

Porém, contudo, todavia e entretanto, divago, derivo e quase degenero. Tenho de falar do São Paulo Futebol Clube. Há dois jogos-chave na temporada tricolor para definir o que vem acontecendo pelas bandas do Morumbi, ambos contra o Corinthians. O primeiro, o empate em 1 a 1, válido pela primeira fase do Campeonato Paulista. Ali, a despeito do resultado, o São Paulo apresentava-se numa jornada aparentemente promissora. Ora, um time reserva, indicativo da suposta missão deste 2009, que era a priorização da Taça Libertadores, num clássico, jogando melhor, com alguma variação tática e técnica, todos esses aspectos mostravam que uma bela temporada se avizinhava ao clube.

Muricy e Telê discutindo esquemas táticos

Muricy e Telê discutindo esquemas táticos

Vejam que o São Paulo de Muricy (ao menos, desde 2007 e numa constante evolução no mesmo sentido) é um time que inspira mais pela educação rochosa, pela disciplina dos jogadores, pelo empenho físico, tático, antropoludopédico, pelo afinco com que ensaia jogadas, com que executa cruzamentos, enfim, é um time aristotélico. Ou, para seus detratores, é um time de escola técnica. Ou, ainda pior, um time de apertadores de parafuso num cenário em que o ideal seria o sonho.

Ah, o sonho. O sonho de que pintaria um grande São Paulo no primeiro semestre foi caindo e derretendo ao longo dos dias. Aqueles reservas promissores tomaram um sacode inexplicável do Mogi-Mirim, o que fez Muricy repensar sua estratégia de prioridades.

Como diz o outro, e ele está todo errado? Não, não está, se a diretoria não lhe deu segurança-e se os próprios reservas não deram demonstração de que iriam além, pois do contrário, seria o pescoço do sr. Ramalho que estaria em risco. É só olhar o que aconteceu com o Grêmio nas bandas do Rio Grande meridional. Ah, mas tricampeonato brasileiro, pererê, pão-duro, etc., vocês dirão.

E eu responderei: justo, justíssimo. Mas isso não é suficiente, não para o São Paulo, e é só ver as declarações de um Leco, os comentários de torcedores internet afora, para saber que em futebol, sempre se quer mais- mesmo que para isso, sejam utilizados meios inequivocamente piores e que não levarão a planícies mais belas.

Nesse embalo, o São Paulo deste começo de ano vem apresentando um futebol tristonho, agravado pelos problemas defensivos, o que culminou em uma derrota cruel no domingo passado, contra o mesmo Corinthians. Não que o time de Muricy não buscasse o jogo, buscava sim. A questão é que não achava jogo algum. E nisso, o time de Mano Menezes foi muito competente, executando os gols quando puderam ser executados.

São esses próximos 15 dias entre o jogo de domingo passado e a Libertadores, já nas oitavas, que mostrarão até onde as ambições são-paulinas podem chegar no primeiro semestre: se ao céu ou à terra.

Ps: Desculpas pela demora em atualizar, mas alguns perrengues impossibilitaram que este texto (da semana passada) viesse ao ar.

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