Napoleão contra a Santa Aliança?

Napoleão contra a Santa Aliança?

Diz a lenda que a moça que passava por Waterloo, não fazia idéia de que ali se travava uma batalha de manuais de História. Tampouco que a criança faminta que gritava numa Paris mitológica sabia que estava participando de uma Revolução.

Parece que a consciência da história só vem com o século XX e com a televisão. Numa inversão hilária, tudo se torna história. Assim, a morte de uma barata  ganha uma dimensão, uma dramaticidade e uma força que antigamente nem os funerais dos melhores imperadores e profetas gozavam. Ok, talvez menos. Talvez eu esteja exagerando na emoção. Sintoma do tempo.

Aliás, emocionados, estupefatos e até meio doidivanas ficaram aqueles que assistiram ao duelo entre Liverpool e Chelsea. Vejam vocês que o locutor da ESPN agradecia até à rainha e acho que o ouvi agradecer às tribos normandas e anglo-saxônicas que ocuparam aquela ilha do Norte.

O sentimento de surpresa, e por que não dizer?, de enlouquecimento não foi gerado apenas pelo placar, um 4 a 4 magnífico, espetacular e ,é possível dizer, tremendo. Lembro de uma época, em meados dos anos 90, em que um 4 a 4 era mais raro do que a ararinha-azul ou um mamute de Spielberg. Ok, é verdade, hoje continua sendo tão raro quanto, porém, é preciso destacar, sublinhar e grifar com caneta dourada o espetáculo passado nas bandas da Rainha.

Não, não. O jogo foi espetacular (supimpa, diria Erasmo Carlos) pela quantidade de alternativas oferecidas. E isso só foi possível porque os times mostraram-se o tempo todo dispostos a atacar e mais do que isso, os escretes estavam dispostos a jogar futebol, mostrando que a teoria do progenitor não era tão descabida assim.

Por outro lado, minha expectativa de que o Liverpool pintasse como campeão foi por água abaixo no jogo anterior. Do mesmo modo, o Manchester United demonstra a força de uma espécie de futebol de resultados implantada por Fergunson nas últimas temporadas.

Sobre o Arsenal, Wenger, o druida, parece estar usando muito de sua poção gaulesa nessa reta final e o time parece num avanço promissor, o que só será posto à prova mesmo contra o United, pois o Villareal não foi adversário suficiente. Do mesmo modo, o Bayern para o Barcelona, a vedete da imprensa brasileira. Correto, a linha de passe dos catalães é fabulosa. Não se sabe, porém, se suficiente para enfrentar todo o potencial armado pelos ingleses.

Que os próximos jogos não sejam mortes de insetos.