E quem há de entender o mundo dos ricos, chiques, famosos e aristocratas? O mundo do luxo, do fausto, da riqueza desmedida, das maneiras contidas pero (ó, século XVI, que falta tuas expressões me fazem) cheia de significados, elementos e por que não, modos de vida? Eu que não hei de entender. Afinal, em meus gestos também há de se encontrar um trilhão de significados e, ao menos, não vou constranger ninguém a me imitar.
Mas por que falo tanto de assuntos que mais diriam respeito a um finado Ibrahim Sued, a uma Danuza Leão ou mesmo a um representante federal, Clodovil Hernandez? Não sei, eu pretendia falar de Superbowl, sim, da final da Liga de Futebol americano, passada no começo deste fevereiro que se termina. Em meus tempos de brutalidade e ignorância, eu encarava o futebol americano como exotismo de ricos. Não faz sentido algum, claro, mas esses eram meus tempos escuros.
Carnaval passado, curioso, decidi dar uma chance ao VT do Superbowl. Ora, havia algo de interessante ali. O lançamento de Manning mostrava a mim que alguma coisa eu poderia extrair daquele jogo, longo, um tanto assemelhado uma partida de jogo de tabuleiro, mas curioso, divertido. Animado, resolvi que assistiria a mais partidas de futebol americano. Claro, não assisti a nenhuma, acrescendo à minha lista de decisões não cumpridas mais esta cruz.
Outro dia, porém, assisti um jogo de Rugby. E, dentro daquela confusão toda, vi que havia algo de futebol ali. Resolvi assistir o Superbowl 2009. E esta foi uma decisão cumprida, da qual não tenho como me arrepender.
A magia de uma decisão, as incríveis reviravoltas (três, pelas minhas contas), uma jogada espetacular (um homem atravessou o campo com o vigor de um moleque brinca sua última picula), a sensação de que havia algo mais do que pontos em disputa, um evento central e animado, tudo isso, ainda que eu não entendesse todas as regras e mesmo que as infindáveis paradas levassem o jogo a quase 4 hora, levou-me a outra compreensão do futebol americano- que, ali, me soou melhor do que uma disputa de peteca, uma corrida de carros ou uma partida de vôlei.
Foi a oportunidade em que entendi, que seja na postura de um aristocrata, ou na de um vira-lata, pode haver ou o comportamento excludente e isolacionista de um diabo ou a dignidade de duzentos mil reis.