
O Sport Club Corinthians Paulista é um time de relevo. Sem sombra de dúvida, é um time extremamente midiático, seja por sua grande torcida, seja pelo destaque mesmo que a imprensa lhe dá (são motivos intercambiáveis, naturalmente).
Após a medíocre, tenebrosa e picaresca (deveras engraçada na visão dos rivais) campanha no Brasileiro de 2007, o rebaixamento à Segunda Divisão causou uma espécie de catarse espetacularizante nas bandas do Parque São Jorge. Frise-se o espetacularizante.
E essa interessante e rentável experiência no campo da publicidade, que angariou fundos essenciais ao time, que se deu ao luxo de manter um investimento alto na Série B, chegou aos píncaros com a contratação de Ronaldo.
Já falamos a respeito anteriormente( http://quemeabola.wordpress.com/2008/02/26/personagem-da-semana-ronaldo ), mas Ronaldo Nazário de Lima insiste, ou melhor, insistem que Ronaldo Nazário de Lima seja o assunto máximo do futebol brasileiro. Insistem quem? Boa pergunta, amigos, não sei, não sei. Investiguemos o assunto em outra oportunidade.
Mas, afinal, o que Ronaldo pode render ao Corinthians em termos futebolísticos? Ninguém sabe, nem ele próprio. E em termos financeiros? Um saldo positivo, claro, mas só o tempo dirá o que compensa o quê- vale lembrar que a experiência de Adriano no São Paulo (um Adriano fisicamente melhor), se interessante em termos de exposição de imagem, não foi de esplêndida importância futebolística (um time sacrificado taticamente, dependente de lampejos de quem não tinha um arsenal tão grande de magias, embora seja, claro, um bom jogador).
Contudo, o que mais chama a atenção em Ronaldo é a sua relação com a imprensa. O que alimenta Ronaldo como um jogador que ainda exerce seu ofício? Seu passado? Não, o passado não alimenta de modo suficiente no futebol, e é muita bondade considerar a temporada milanesa de Ronaldo como marcante (ou mesmo, considerá-la temporada- algo como considerar um fio d´água um rio caudaloso, um Nilo, um Amazonas).
O que alimenta a presença de Ronaldo no imaginário do futebol é a imprensa. Mesmo quando o jogador aparece em uma controvérsia do transsexualismo, ou quando aparece em matérias do colunismo de celebridades, somente o interesse midiático, imagético, mantém Ronaldo ativo.
E, ao mesmo tempo em que dá, a imprensa exige de Ronaldo. Sua forma física, sua forma moral, sua forma paterna, sua forma capilar, tudo é exigido. Uma corrida tartaruguesca, um fôlego assassinado, tudo é motivo para horas de debate.
Ronaldo responde, perorando sobre suas funções de pai, desdenhado a má forma física de jornalistas supostamente engraçadinhos, com comentários pretensamente irônicos que mais parecem fruto de raiva incontida, e argumentando acerca de suas possibilidades no campo.
Ora, dessa relação natural, enérgica e de exposição é que vive Ronaldo hoje. Não se trata de futebol, nem em aspectos externos, e sim de novela, de enredo de suposição. Nesse círculo imaginário, padecemos todos, e pior, padece a bola.
6 Março, 2009 at 2:51 pm
[...] exposto quando do episódio citado chamava a atenção, e era a relação de Ronaldo com a imprensa. Conforme já dissemos , a atração cármica e cósmica da mídia por Ronaldo e dele pelos noticiários, fofocários, etc. [...]