Domingo, Janeiro 11th, 2009


O Sport Club Corinthians Paulista é um time de relevo. Sem sombra de dúvida, é um time extremamente midiático, seja por sua grande torcida, seja pelo destaque mesmo que a imprensa lhe dá (são motivos intercambiáveis, naturalmente).

Após a medíocre, tenebrosa e picaresca (deveras engraçada na visão dos rivais) campanha no Brasileiro de 2007, o rebaixamento à Segunda Divisão causou uma espécie de  catarse espetacularizante nas bandas do Parque São Jorge. Frise-se o espetacularizante.

E essa interessante e rentável experiência no campo da publicidade, que angariou fundos essenciais ao time, que se deu ao luxo de manter um investimento alto na Série B, chegou aos píncaros com a contratação de Ronaldo.

Já falamos a respeito anteriormente( http://quemeabola.wordpress.com/2008/02/26/personagem-da-semana-ronaldo ), mas Ronaldo Nazário de Lima insiste, ou melhor, insistem que Ronaldo Nazário de Lima seja o assunto máximo do futebol brasileiro. Insistem quem? Boa pergunta, amigos, não sei, não sei. Investiguemos o assunto em outra oportunidade.

Mas, afinal, o que Ronaldo pode render ao Corinthians em termos futebolísticos? Ninguém sabe, nem ele próprio. E em termos financeiros? Um saldo positivo, claro, mas só o tempo dirá o que compensa o quê- vale lembrar que a experiência de Adriano no São Paulo (um Adriano fisicamente melhor), se interessante em termos de exposição de imagem, não foi de esplêndida importância futebolística (um time sacrificado taticamente, dependente de lampejos de quem não tinha um arsenal tão grande de magias, embora seja, claro, um bom jogador).

Contudo, o que mais chama a atenção em Ronaldo é a sua relação com a imprensa.  O que alimenta Ronaldo como um jogador que ainda exerce seu ofício?  Seu passado? Não, o passado não alimenta de modo suficiente no futebol, e é muita bondade considerar a temporada milanesa de Ronaldo como marcante (ou mesmo, considerá-la temporada- algo como considerar um fio d´água um rio caudaloso, um Nilo, um Amazonas).

O que alimenta a presença de Ronaldo no imaginário do futebol é a imprensa. Mesmo quando o jogador aparece em uma controvérsia do transsexualismo, ou quando aparece em matérias do colunismo de celebridades, somente o interesse midiático, imagético, mantém Ronaldo ativo.

E, ao mesmo tempo em que dá, a imprensa exige de Ronaldo. Sua forma física, sua forma moral, sua forma paterna, sua forma capilar, tudo é exigido. Uma corrida tartaruguesca, um fôlego assassinado, tudo é motivo para horas de debate.

Ronaldo responde, perorando sobre suas funções de pai, desdenhado a má forma física de jornalistas supostamente engraçadinhos, com comentários pretensamente irônicos que mais parecem fruto de raiva incontida, e argumentando acerca de suas possibilidades no campo.

Ora, dessa relação natural, enérgica e de exposição é que vive Ronaldo hoje. Não se trata de futebol, nem em aspectos externos, e sim de novela, de enredo de suposição. Nesse círculo imaginário, padecemos todos, e pior, padece a bola.

Três longos meses sem escrever neste abrigo, amigos. Sim, vocês perguntam-se atônitos, preocupados e, por que não?, abobalhados. “Rapaz, publique algo! Tome vergonha!’- brada minha consciência. E, na verdade, vos digo, ou melhor, lhe digo, minha pobre própria consciência, tudo isto foi planejado.

Desde a arrancada do meu time, o São Paulo Futebol Clube, concentrei todos os meus esforços e engendrei todas minhas forças e energias positivas rumo ao tricampeonato. E foi por isso que sumi deste espaço. Após, tamanha foi a comoção, que palavras me faltaram.

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Se é possível definir a campanha do São Paulo em uma palavra, eu escolheria ‘arrancada’.  Este seria o termo excelente, a forma clara de demonstrar como um time que ora parecia medonho (Internacional 2 X 0, em Porto Alegre) ou simplesmente lamentável e melancólico (As duas partidas contra o Santos, 0 X 0 ou outra partida em branco, contra o Sport, na Ilha do Retiro) pôde se transmudar em uma equipe fulgurante, se não brilhante, plenamente consciente e bem formada, a ponto de achincalhar boa parte de seus concorrentes diretos ao título ou à vaga na Libertadores (2X0 no Cruzeiro e no Flamengo, 2 X1 no Botafogo, 2 X 2 Palmeiras, este último a partida determinante para mostrar o que era o São Paulo de agora em diante).

Foi um turno perfeito, em que André Dias mostrou alguma coisa que outrora não possuía, em que Jean e Hernanes compuseram um meio de campo firme e em que Hugo, Dagoberto, e principalmente Borges, avançaram com todas as forças.

Rogério Ceni dispensa comentários, pois o arqueiro encarna hoje o São Paulo Futebol Clube não apenas em suas qualidades, mas sobretudo em seus defeitos, em seu mortal (na acepção da palavra, visto que fatal para si e para outros): A arrogância quase soberba, típica e interente à personalidade são-paulina, que espelha uma segurança tamanha, a ponto de ser minada em alguns momentos, essa é a alma profunda do Morumbi, refletida na declaração polêmica sobre Macapá e Maracaibo.

Mas estes todos não são, real e definitivamente não são, nem de longe, o centro da jornada são-paulina neste 2008. Só há um homem que pôde centralizar minha atenção e confiança durante todo o campeonato. Óbvio, estou falando de Muricy Ramalho.

De tudo o que fica, pouco importa que o treinador seja um sábio (e é o Preto Velho do Futebol), pouco importa que entenda bastante de tática (a ponto de insistir no limite da teimosia em suas opções) e pouco importa que seja um bom motivador, principalmente por sua faceta ranzinza.

O que sobrou foi um treinador confiante em seu trabalho, em sua equipe, na torcida (mesmo quando boa parte da mesma não acreditava mais nele, bastando ver a gritaria na internet, ou a chiada dos blogs do torcedor da Globo, do Lancenet!, e de Vitor Birner), a ponto de dobrar todo um campeonato absurdo, no qual, eu, do alto de meu pessimismo traumático, somente me contentava com uma vaga na Libertadores.

Este homem, que é o verdadeiro herói das Tormentas, tricampeão nacional, este é o verdadeiro desbravador e colonizador do Campeonato Brasileiro de 2008.

Muricy Ramalho, o campeão merecedor da homenagem.