Outros clubes do futebol baiano podem ser mais ricos, mais prósperos, mais badalados pela imprensa, donos até de maior torcida e de maior números de títulos recentes. Nenhum de gloriosa tradição quanto o E.C.Ypiranga, o time de Popó, antigamente poderoso, milionário, invencível, supercampeão, hoje pobre e batido mas, em glórias quem se compara a ele?”  (Jorge Amado)

 

Sim, amigos, eu quero comprar o Ypiranga- e aceito parceiros. Vocês podem me indagar, atônitos, por que eu cometeria um ato desta natureza. Alguns, céticos e anti-crentes, desdenhariam da minha intenção, qualificando-a de absurda ou um disparate.

Por que não fazer um clube novo em Feira de Santana, minha terra natal? Ora, a alma profunda de Feira de Santana já tem o Fluminense, e é este time que lá deve ser alimentado. Infelizmente, nenhum time outro vingou na cidade, a exemplo do Bahia de Feira, Independente, Palmeiras-Nordeste- e mesmo o Fluminense não é lá um exemplo de vitórias. Já há muita gente em torno do clube, então não faz sentido comprá-lo.

É evidente que a cidade do Salvador não se sustenta na rivalidade Ba-Vi. Embora este seja um grande clássico, falta a uma considerável parcela da cidade a integração devida com o futebol. E isso só pode ocorrer com o retorno de uma força maior, força passada, mas portadora, em sua essência, da energia para o futuro.

O Galícia é dos galegos. O Leônico compôs um espetáculo pitoresco nos seus 0 a 10 em Guanambi, mas ainda assim teve um time profissional há pouco. O que me resta? O Botafogo da Bahia. O time alvirrubro, que fazia o antológico clássico do pote, com todo o respeito a suas glórias, dele já não se guarda mais memórias que não aquelas de livros. Um valor mais alto se alevanta. E ele veste as cores auri-negras, daquele que já foi o mais popular e daquele que, certamente, era um grande dos cinqüenta primeiros anos do futebol baiano.

O time que cativou todo o Campo da Graça, time de Apolinário Santana, o Popó, o arrasador artilheiro das décadas de 20 e 30, que despertou a simpatia do Anjo bom da Bahia, de Jorge Amado, das massas verdadeiras, time da mestiçagem, dos pretos e dos brancos e de todos aqueles que desejem o futebol, esse é o time que merece ser reavivado. E é uma ressucitação possível, porque ainda lembro de minha infância a existência de um time profissional do Ypiranga, jogando a segunda divisão do Baiano, passando vexames e definhando até o estágio atual.

Confesso que desconheço o ocorrido pelas bandas da Vila Canária, se diretorias incompetentes, se prejuízos causados pela Federação Baiana ou por qualquer outra coisa, se a falta de oxigênio decorrente das intensas mudanças no futebol. Não sei, nem me interessa.

O que interessa é que se a Bahia deseja ser alguma coisa no futuro, precisa reavivar seus laços com um passado brilhante e o Ypiranga é imprescindível para tal. Restabelecer um clube centenário, carregando a independência do Brasil em seu nome, este intento é o próximo Dois de Julho.