Antes do confronto com o Fluminense, ontem, no Maracanã, meu pai perguntou-me, enfático:
- Com 40 pontos um time tá livre do rebaixamento?
Como não decoro números, fiz uma breve pesquisa e vi que o Goiás, ano passado, permaneceu na série A, no sufoco, com 45 pontos. Com 44, o Corinthians caiu. Passei-lhe a informação e ele, meio aliviado, disse:
- Então já estamos quase na metade, meu filho!
O torcedor do Vitória, no geral, comporta-se dessa forma. Que importa os resultados recentes, a bela campanha, o treinador competente e sensato, Marquinhos voando em campo ou Marcelo Cordeiro comendo grama na lateral esquerda? O histórico de fracassos rubro-negro não pode ser facilmente superado – por isso, meu pai pensa no rebaixamento.
Assim como eu pensava até as últimas cinco ou seis rodadas. Minha preocupação, porém, não vinha do pessimismo onde viceja cada torcedor do Vitória, mas da campanha no estadual e do ridículo título obtido. O elenco, envelhecido e ruim, não inspirava confiança. Mas lá está o rubro-negro, num ponto quase extremo da tabela – goleando, vencendo Internacional, conseguindo pontos fora de casa.
Perdeu, ontem, para o Flu – que trata de se recuperar com mais humildade. Não foi um resultado anormal, ninguém se desesperou: no planejamento do Vitória, sejamos francos, o máximo que se sonhou foi uma Sulamericana. Vai, então, acumulando pontos que – no momento em que Marquinhos ou Williams ou Anderson Martins forem vendidos e Mancini sumariamente expulso de São Salvador pelos radialistas – muita importância terão para a permanência na Série A ou, quem sabe, uma participação num torneio continental de menos brilho que a Libertadores, mas ainda assim com seu valor.
A bela trajetória do Vitória, no mais, serve para dar alento e graça ao moribundo futebol baiano – mesmo que seja efêmera, a boa fase enobrece e leva o povo aos estádios. Assim como torna o jogo mais importante do meio de semana este que será disputado no Barradão – Vitória e São Paulo enfrentam-se e têm todos os olhos para eles voltados.
A Bahia, em meio à sua falência, ousa um suspiro derradeiro.

23 Julho, 2008 at 11:36 pm
Depois da vitória de agora há pouco, ia pedir um post. Mas parece que, mesmo sem concordar muito, fui contemplado.
Tamo chegando, tamo chegando.