
Ainda não me recuperei. Aos 47 do segundo tempo, é marcada uma falta na boca da meia-lua. Axel pula na barreira, a bola passa entre suas pernas (ou um pouco abaixo, isso não é relevante) e o Cruzeiro marca o gol do título da Copa do Brasil. Até o segundo passado, o São Paulo era campeão- e agora estava tudo acabado. Eram os idos do Ano Dois Mil. E até hoje não me recuperei.
Os anos passaram, alguns títulos, outras derrotas, mas a mancha persiste na cabeça dos são-paulinos. Neste 2008, quem acompanha nossas elocubrações sobre a Bola e o Mundo sabe que temos um juízo complicado sobre o São Paulo de 2008. Foram jogos chatos, jogos enervantes, jogos verdadeiramente cardíacos e pouquíssimos jogos efetivamente futebolísiticos. Podemos dizer que o São Paulo conseguiu uns 5 jogos de futebol no ano. Uns dois contra o Palmeiras, um contra o Nacional e os dois de agora contra o Fluminense.
Renato Gaúcho começou de forma inteligente o duelo do Maracanã, atazanando a defesa paulistana com jogadas rápidas e vindas de trás. O excelente Conca e o mediano Thiago Neves esmigalhavam o time do Morumbi. O verdadeiro massacre (similar ao perpetrado pelo São Paulo no Morumbi) terminou com o destino óbvio- A meta. De uma forma meio esquisita, Washington marcava 1 a 0. O Fluminense fez um bom primeiro tempo, mais tarde equilibrado, mas não tinha conseguido ampliar a vantagem.
Pois a segunda etapa não se mostrava tão promissora para o time do Rio. Renato Gaúcho ousou e errou de forma flagrante, ao tirar Arouca e pôr Dodô, perdendo o meio de campo e tornando muito mais complicada a missão do excelente Thiago Silva, ao passo que Muricy Ramalho foi preciso ao trocar o inoperante Jancarlos por Joílson e ao trocar outro inoperante Dagoberto por Aloísio. A participação deste último foi um show à parte e motivo de orgulho para os são-paulinos seria, não fossem as trágicas circunstâncias da partida.
O empate são-paulino, o gol esquisito de Dodô, o terceiro gol do Fluminense aos 47 da segunda etapa, a magia que estava implícita e inerente a tudo isso. Não preciso contar mais nada a vocês, irmãos leitores, nada que não vá ampliar minha dor de cabeça que desde a madrugada de quinta-feira compartilhei com todos os vermelho, branco e pretos do Brasil. É preciso dizer, porém, que o maior erro daquela noite foi o deslumbre e a impaciência do São Paulo que não soube matar o Fluminense no meio de campo, quando conseguiu o empate. Dificilmente os cariocas teriam forças com 15 minutos para o fim em buscar dois gols.
Isso, no entanto, é desespero de derrotado e de nada vale. Parabéns aos pó-de-arroz, parabéns ao meu pai, a Washington e sua iluminação inequívoca (que, claro, têm sim chances de passar o Boca Juniors) e que meu time tenha sorte melhor na próxima.
A última : Se a diretoria do São Paulo despedir Muricy, merece ser destituída, tal qual um rei bárbaro do século XIII.