É verdade que todos sabemos que o campeão da Europa é o Arsenal. Assim como é verdade que sabemos que o melhor futebol da temporada européia foi do Arsenal e que o elenco dos atiradores não é tão pior que o do Manchester United (é isso ou considerar Park Ji-Sung uma excelente opção de elenco). Certo, sabemos disso tudo, mas sabemos também que a zaga e a inexperiência do Arsenal subverteram a realidade, a ponto de o Manchester United ter levado todas as glórias acima citadas. Mas, divago.

Evidente que como brasileiro que sou, jamais posso ter em meu sangue a torcida apriorística por times que não agridam constantemente. E, claro, nutri certa simpatia pelo United nesta temporada. Todavia, confesso que torci pelo Chelsea na final da quarta-feira.

Primeiro, por algum pedaço da imprensa, que na sua cruzada mezzo moralista, ataca o russo dono do Chelsea e seus suspeitos milhões bilhões de libras, rublos, euros e chocolates suíços, opondo, de um lado a tradição dos diabos vermelhos ao deslumbro novo-rico dos moscovita-londrinos.

Como o Queméabola? já demonstrou- e ainda insiste- tradição em Inglaterra trata-se de pré-condição de existência. Por outra, na Inglaterra, quem não tem tradição, não se estabelece. Ou ainda: alguém que repudie a tradição na Inglaterra toma tapas e pescoções da Rainha ela mesma.

Que o dinheiro que transborda no Tâmisa é complicado, todos estamos carecas de saber. Só retiramos nosso próprio escalpo, porém, é quando não se percebe que as mudanças no futebol da rainha ultrapassam a simples observação sobre a casta de milionários que foi tomando o esporte.

Já observamos o caso de Manchester, mas vale relembrar a revolta de uns torcedores quando da compra das ações do time pelos americanos. Sim, amigos, os ianques compraram o United, que já é uma empresa há um bom tempo. É essa empresa, que ganhou 10 títulos em 16 Premieres League disputadas, que supostamente representaria a suposta essência, a magia do futebol que não seria só o time comandado pelo ter. Pode rir, eu espero.

Eu ainda torci pelo Chelsea por Avram Grant, o improvável. Motivo de chacota, desdenhado pelos jogadores, o rapaz nem sequer treinava o Chelsea. E, no entanto, comprovando o improvável do futebol, chegou às finais da LC. Sim, camaradas, ele só não ganhou o maior título europeu por um escorregão.

De outra mão, havia ainda Fergunson, com a arrogância que não se ajustava aos fatos. Enquanto o time se batia para derrotar um Barcelona ridículo, Fergunson sorria. Enquanto o Chelsea tinha tirado toda a diferença para o United (e sim, era um Chelsea sem técnico, era um Chelsea sem tática, era um Chelsea que jogava pela inércia e com uma vontade curiosa), Fergunson gargalhava os títulos que, é verdade, acabou conquistando- mas esteve perto de perder.

E havia Cristiano Ronaldo, que não mostrou ser o jogador decisivo que o melhor do mundo deve ser. O pênalti cobrado por ele na quarta só comprova que a máscara ainda o impede de desenvolver o melhor potencial. O pênalti estragou sua razoável partida (especialmente no primeiro tempo, já que na última etapa, o Manchester mostrou desmerecer qualquer título esse ano) e pôs uma mancha no currículo de melhor do mundo.

No entanto, a crueldade do mundo permitiu que Terry escorregasse de uma maneira tétrica. E que Belleti só entrasse para bater pênalti, num erro crasso do israelita- ora, somente Belleti pode ser fatal numa partida de Liga dos Campeões nas circunstâncias do jogo. O israelense ainda permitiu que Anelka (sim, Anelka, eu tinha esquecido desse rapaz) decidisse o futuro do Chelsea.

Pensando bem, e esquecendo toda a imprensa, todo o Fergunson, o Ronaldo e tudo o mais, não havia condições de o Chelsea ganhar. Não pelo russo, não por uma palpável lavanderia de dinheiro londrina, não pela mal entendida influência do dinheiro no futebol.

O Chelsea tinha depositado todas suas esperanças em Anelka. Isto sim a bola não pôde perdoar.