A semana começou…Digo, a semana ludopédica, de forma mui desgraçada para nós, amantes da pelota. De um lado, o Racismo incorporado na torcida e nas declarações de Dick Advocaat fazia-se presente no melhor time da Copa da Uefa, o russo, o soviético, o gás-naturalístico Zenith, de São Petersburgo. Do outro, representando as fileiras do Ocidente, os escotos, donos de um grande e ofensivo futebol nos idos dos Mil e Oitocentos, tendo aquele, porém, desenvolvido-se desde então feito parte do próprio povo escocês em relação à Cruz de São Jorge: na defesa, nas barricadas, na retranca moral, com eventuais doses cavalares do mais puro malte. Curioso é que o mais acabado representante desta verdadeira arte da defesa sejam os Cavaleiros da Rainha em Glasgow, aqueles que jogam sob o impulso de impropérios desferidos contra a figura do Santo Padre.

Alcoolizado pela natureza do conflito, o Quem é a Bola? cerrou fileiras com o simpático povo escocês, antecipadamente triste com um time que não domina a arte de fazer gols, mas ainda assim, dada a natureza moral do esporte bretão, jamais poderia cerrar fileira com a insânia russa.

Com 5 minutos de jogo, já era possível sentir o quanto de dificuldade a escolha encerrava. Ainda assim, era preciso acreditar no futebol espiritual, no intangível. Quando todas as esperanças já se acumulavam na frente do futebol, os russos meteram 2 gols- não retirando a letargia de Platini, que cochilava no camarote. Pronto, estava feita a tragédia do time de Nacho Novo, o camisa 10 com o melhor nome da história. Nem foi possível se entristecer, porém.

Os bravos escotos já haviam ido além de suas pernas e os russos devem servir de alerta constante ao Ocidente.