Todos já sabem a história de cor e salteado e já viram os lances, que ecoarão na cabeça dos flamenguistas (e dos botafoguenses, pelo visto, que não vão esquecer o clube da Gávea tão cedo) por todas suas vidas. O time de amarelo destroçou o pobre Flamengo, que comemorava até outro dia seu melhor time em década. Mas eu gosto do passado.

O bom rubro-americano Escobar, em resposta a um presidente de mesa-redonda, falava do “Ca…banhas”, enquanto pegava no culote e gargalhava- com ele, todos os flamenguistas. Todos sorriam do rapaz, que fazia gols, e ainda assim demonstrava todos seus quilos a mais, desafiando a lógica da balança.

A balança é o grande desafio de certos jogadores. Neto, Carlos Miguel e muitos outros, passaram misérias e horrores, divididos entre a macarronada e o capotão, entre o supino e feijoada, entre os tacos e o exercício físico.

No México, mesmo elogiado, dado o desastre do maior time do país, financiado por uma enorme rede de televisão, a notícia mais atraente sobre Cabañas tratava de “patoladas” e supostos abraços homoeróticos em treinos. Quando não se tem muito o que falar do futebol, há sempre o que falar da vida dos rapazes da bola.

E, no entanto, este bom jogador que foi considerado o melhor das Américas por um jornal cisplatino (o que evidencia o total e descarado afastamento entre todos os países do Novo Mundo, uma vez que tal premiação foi olvidada pela mídia brasileira) decidiu um jogo marcante da Libertadores, gravando seu nome na História.

——–

Naturalmente, haverá quem diga que o verdadeiro autor da História foi Absurdo dos Santos, primo distante e próximo de Sobrenatural de Almeida, eterno craque dos gramados, atuando nas mãos de Obina (outro que, de modo valente, desdenha dos rapazes da maromba e da força muscular) ou em qualquer outro morro de grama determinante. Como é óbvio e justo que não se impute ao acaso obras que possam dignificar homens, fiquemos com o, como diria Eurico Miranda, “Mansões”.