Falam muito de Direitos Humanos. Falam em vida, liberdade, dignidade- e é mais verdade que mais falam do que qualquer outra coisa. Mas poucos parecem estar atentos para a verdadeira tragédia humana que ronda o Morumbi.

Evidentemente trato do São Paulo Futebol Clube e não de uma das dondocas de capa de revista que possa habitar as redondezas do Cícero Pompeu. Fossem outros os tempos, não houvesse tevês, engarrafamentos e desesperos mil, estaria toda a população da capital paulista diante do Estádio ou do CT de Cotia em vigília diante do constrangimento que o miúdo time tricolor faz passar a todos: a diretoria, o treinador, os próprios jogadores, os torcedores e mesmo os adversários.

Tenho para mim que alguns dos adversários dos tricolores paulistanos apiedam-se dos rapazes e evitam maiores tragédias. Não parece ter sido o caso do Nacional do Uruguai há menos de 1 hora, mas poderia ter sido.

Disse certa feita que o São Paulo era um tédio atômico. Pois eu estava enganado. Este São Paulo aí é obsceno. Mais obsceno do que qualquer bebum que brade no ouvido de freirinhas indefesas e aponte para suas partes pudendas a jovens colegiais. Até outro dia, a única jogada do São Paulo consistia em Jorge Wagner chuveirar em busca de uma testa salvadora. Pois isso acabou, por ora. Com o baiano sentindo o peso da responsabilidade (e o cansaço) de ser o único manancial de alguma coisa para todo o time, não resta mais nada aos comandados de Muricy senão irritar os torcedores.

Afinal de contas, o que é Éder Luiz em campo se não o conluio de neurônios malvados com o intuito de destroçar os são-paulinos hipertensos? Em Montevidéu, o rapaz parecia deslizar numa pista de gelo. A escorregadela no contra-ataque de fim de jogo fez corar o mais impudendo dos canalhas.

Richarlysson não merece maiores comentários. A simulação de falta no fim do jogo, sem propósito algum, só fez sentido a mentes perturbadas. Aliás, a perturbação é a tônica de um time em que Fábio Santos pisa no jogador uruguaio sem maiores motivos.

O time do São Paulo não é um Sono. É um Campo de Concentração. Mais do que Guantánamo, o São Paulo de 2008 merece ser repudiado por todos os governantes do planeta. Mesmo o topetudo de Pyongyang, mesmo os barbudos de Havana, mesmo os chicoteadores de Beijing, todos eles parecem samaritanos, franciscanos, santos simpáticos diante da apatia, da lentidão, da inabilidade deste São Paulo.

Há aquele que culpa Muricy Ramalho. Afora a insistência dele com Fábio Santos (inexplicável, injustificada e desumana), o treinador não tem maiores culpas. Não foi ele que vendeu jogadores com a temporada iniciada e que contratou possíveis substitutos com tantos jogos em andamento. Não foi ele que vendeu jogadores a caros preços e não repôs o time na mesma medida.

É verdade que foi Muricy Ramalho que insistiu em não pôr (ou queimar) os garotos da base. Difícil seria perder com eles, sem o risco da rescisão contratual. Faltou um pouco de ousadia a ele, porém. Nada que se compare ao que fizeram os “homens de preto”, os cartolas.

Mas eu deveria falar do jogo? Falar do quê? Não houve jogo. Houve uma grande mancha branca em Montevidéu e foi como se uma borracha dividida em 21 pedaços (porque 1 pedaço era um brilho laranja inexplicável, resíduo da embalagem talvez) apagasse todas as memórias de quem ainda se recordava do que é uma partida de futebol.

PS: Parece que Zé Luís saiu por causa de uma crise asmática. A impressão é de que Ze Luís em crise epilética é melhor que Fábio Santos no vigor de sua forma física.