
O trabalho nem sempre dignifica o homem. Pode aprisioná-lo, evitando suas distrações, como aconteceu comigo nas tardes de terça e quarta desta semana. Assim, não pude acompanhar os jogos da Liga dos Campeões. Não que isso tenha me importado tanto, uma vez que sabemos que este campeonato já acabou e já teve seu campeão no Arsenal.
Penso é em outra coisa. Ano passado, esperávamos todos pelo United e Chelsea. Ou melhor, pelos United e Chelsea. A esperança de boa parte dos espectadores do futebol como espetáculo era uma melhor de três que decidisse três campeonatos : A Copa da Liga Inglesa, o Inglês e o Europeu. Até a Premier League esperava isso, adiando o jogo do Campeonato Nacional.
Resultamos desesperados quando o Chelsea negou fogo no Inglês e o Liverpool e Milan decidiram esculhambar na Liga dos Campeões. Restou uma minguada Copa da Liga para José Mourinho, o irascível tuga, vaidoso e sabido.
Bruce Banner era genial quando esquálido e portando lentes com fundo de garrafa (as de Guaraná Brahma, de 330 ml), mas ainda assim era derrotado. Mesmo com belissimas vitórias em seu currículo gama, o rapaz padecia de algum mal que não o permitia escalar o topo, tal qual os alpinistas do Dedo de Deus, pondo-o numa depressão infinita.
Já o Gigante Verde, o brutamontes, o hipópotâmico, o frondoso, o jequitiboso-rei Incrível Hulk não passava de um troglodita, um destruidor. E ainda assim podia encarar todos os Vingadores com resistência incrível.
Assim que Mourinho saiu do Chelsea, todos creram no fim do time azul. Ao menos por um tempo, com o Arsenal embalado e o United ofensivo (antes dos problemas de Fergunson), isso soava verdade. No entanto, o Chelsea conseguia alguns bons resultados- e eu pensei sem externar a ninguém: “O Chelsea jamais levará o Inglês, mas a LC é possível”.
E o time continuava a vencer no Inglês (a ponto de alcançar o outrora “genial” United), a não perder nunca em Stamford Bridge e a encontrar moleza na LC. Convenhamos: Valencia, Schalke, Rosenborg, Fener não são lá grandes desafios. Veio o Liverpool, então. Avisei aos meus companheiros de devaneios: Decidir em Londres é diferente. Dito e feito. Avram Grant conseguiu, com todo o descrédito que teve, com toda a cara feia que a imprensa esportiva fez e com toda sua própria cara feia que o Criador lhe deu, sim, o israelense, o israelita conseguiu aquilo que o tuga, vaidoso e genial não conseguiu.
Ainda não acabou, porém. Resta o 21 de maio na Terra de Putin e as duas últimas rodadas da Liga Inglesa.
Acompanhemos. E jamais duvidemos do poder da força bruta. O Quem é a Bola ? nunca duvidou.