Ivan, O Terrível. Pedro, O Grande. Lenin, o Miserável. Stálin, o Koba. A Rússia, para o homem ocidental, sempre foi um pânico, um gigante a assustar. Quando se pensa na Sibéria, o que se imagina é uma Amazônia, quiça, um Brasil todo sem gente e com gelo, muito gelo. A Rússia é Uísque também. Mas a Rússia para o homem ocidental é o medo. O brasileiro, como bom homem não-ocidental e antioriental não tem medo dos russos, e só os considera mesmos (de resto, como todos os outros povos) no campo de futebol. A Rússia não oferece grandes desafios aos brasileiros e o fato notável do esporte em campos putinianos eram as bolas laranjas e o calendário dissonante do europeu- tudo devido ao frio.

Ah, sim, sempre há as contratações de brasileiros- mas até aí o Maccabi Haifa também ganha notoriedade com isso. Mesmo o Saprissa contrata brasileiro, como Tampere United ou qualquer outro time do mundo.

Abrahmovic, Berezosky e pronto, todos esses mega-investidores rasputinianos invadiram o futebol com suas dezenas, centenas, milhares, milhões de dólares, com seus prejuízos absurdos e a montagem de grandes esquadrões. Mas isso não era na Mátria deles, a Mãe-Russia.

Ora, tovarisch, eis que surge o Zenit São Petersburgo, time da Gazprom (se não de direito, de facto), time com bons talentos e que já assombrava todos os compatriotas de Lênin desde o ano passado, pelo meno. Desta feita, foi chegada a expansão ao Oeste, e os alemães padeceram. Já havia sucumbido o Bayer de Leverkusen, humilhado em seu lar por sonoros quatro tentos a um.

Desta feita, foi nocauteado, depauperado, esmigalhado o Bayern da cidade de Munique. Os bávaros (e franceses e italianos e brasileiros) já haviam escapado da derrota certa para um bravo Getafe, graças a um Luca Toni inspirado e a um Abbondanzieri que não merece maiores comentários.

Agora, não houve isso. Houve uma sacola, um chocolate, uma digna goleada (sim, Rede Globo de Televisão: é preciso aprender que goleada não é sinônimo de vitória do Flamengo em que o time faça mais de 2 gols): 4 a 0. Sim, quatro tiros a zero na terra construída pelo Czar para ser a Paris do Leste.

Em Leningrado, Ribery, Toni, Schweinsteiger, Podolski, Klose, Kahn, Lúcio, Zé Roberto e todos esses rapazes que constituem uma verdadeira seleção evidenciaram o que qualquer observador menos atento percebe: o time de Munique só leva o Alemão e tudo o que há lá nesta temporada porque simplesmente não possui adversários. As falhas e os equívocos de toda a temporada concentraram-se de forma clara, límpida e fatal nesta tarde (ou noite ou gelo) de Petrogrado. A despedida de Kahn é, em termos singelos, deprimente, coitado do goleiro teutônico.

Que não se extraía a lição (real, porém tola) de que “dinheiro não é tudo no futebol” ou de que “zebras acontecem”. A Gazprom despeja sacolas de dinheiro no time da cidade de Putin e este já vem num crescendo há duas temporadas- a Liga dos Campeões ano que vem já tem um candidato a boa campanha.

De qualquer forma, o Rangers há de seguir no seu objetivo de montar uma barreira inexpugnável se quiser sagrar-se Campeão da Uefa, evitando (ou retardando) assim com que o medo ancestral destroce o Ocidente.