
Eis que aos quarenta e tantos minutos do segundo tempo, o semblante de uma família são-paulina era o de mais puro horror. O horror máximo que se pode alcançar em termos futebolísticos é o absoluto tédio.
O treino da última noite entre São Paulo e os seus reservas paraguaios, também conhecido como um clube profissional da cidade de Luque, no Paraguai, lembrou outra partida tétrica do tricolor paulista. O inenarrável zero a zero com o Corinthians Paulista no Brasileiro de 2006, quando os alvinegros contavam com nove jogadores em campo. Simplesmente todos esses oito jogadores (hoje eram 10 os luqueños, com uniforme parecido com o dos canallas do Rosário Central) situavam-se na grande área, com excepcionais casos de arrojo e dinamismo ofensivo, a se postar na meia-lua.
Como em 2006 se praguejava contra Danilo, que não conseguia criar, neste 2008, não há contra quem praguejar. Simplesmente porque o São Paulo não tem alguém que efetivamente crie jogadas. Éder Luís parece alvissareiro, mas em alguns momentos somente. Carlos Alberto é no máximo esforçado (e se fosse alguém sem nome, não iria a lugar algum). Hernanes chuta de longe. Richarlysson até outro dia mais se preocupava em ser expulso.
Há o rapaz feirense, Jorge Wagner. Este é o criador do time. A principal jogada do São Paulo consiste em cruzamentos do baiano por meio de bola parada (em qualquer modalidade). Nesse desespero, Adriano tenta ajudar a criação, mas só piora as coisas. Como vimos hoje, ele é talentoso para arrematar bolas ao gol, não para criar.
Então, o São Paulo de hoje é isso. Sufoco, desespero, transpiração, esforço, alguma pose de seus jogadores (também conhecida como marra) e quando possível, a vitória. Por incrível que pareça, o panorama é mais otimista do que ano passado, quando as vitórias do começo de ano encobriam o péssimo futebol. Hoje, ao menos todos sabem: O time está jogando mal, mesmo quando vence, vence com grandes dificuldades. Esta é a chance de ativar o radar de alerta dos jogadores e é a chance que o São Paulo tem de se manter vivo nas competições.
Será duro, mas é possível (não certo, nem mesmo provável) que se chegue muito longe. O tricolor do Morumbi continua a maior das incógnitas deste começo de ano.