No próximo dia dez realizar-se-á o primeiro Bavi do ano. Se tudo correr bem durante a semana, os dois grandes clubes da Bahia se enfrentam disputando uma liderança temporária que, aparentemente, não possui valor algum. Desde o ano passado, Bahia e Vitória mostram sinais de que retomarão sem grandes problemas a hegemonia estadual quebrada pelo Colo-Colo em 2006 e passarão mais trinta anos dividindo as honras de campeão e vice.

Em teoria, chegam mais fortes para 2008: com Vitória na primeira divisão e Bahia finalmente conseguindo seu primeiro acesso dentro de campo, ambos deixaram para trás um ano em que o Bavi parece ter sido recuperado. O histórico placar de seis a cinco para o Leão da Barra ainda hoje é mastigado, contestado, exaltado.

Há, contudo, pontos negativos a serem considerados. Em primeiro lugar, o trágico acontecimento na Fonte Nova e a sua conseqüente interdição – todos estes fatos tenebrosos enfraqueceram o Baianão, que sempre teve como palco maior o decrépito estádio.

A outra preocupação surgiu após os oito primeiros jogos da competição: a dupla protagonizou momentos de horrendo futebol. Com péssimas contratações, péssimos planejamentos e péssimas atuações, Vitória e Bahia lideram, mas não enganam ninguém. Pelas ruas estreitas do recôncavo baiano, os vitórias já prevêem um novo rebaixamento e os bahias já se declaram contentes com uma permanência na Série B.

Após o Bavi, após a disputa de uma liderança ainda pouco importante, poder-se-á perceber se, de fato, o Bahia permanece no buraco do qual, acreditam os ingênuos, começou a se livrar ainda no ano passado e se o Vitória, cuja torcida já superou e varreu os confetes da festa do retorno à elite, terá capacidade e fôlego para outro título baiano e longos meses de uma guerra ingrata para a permanência na primeira divisão.